Cabo Verde: PR reeleito considera vitória "histórica" e promete "total independência"

Cabo Verde: PR reeleito considera vitória "histórica" e promete "total independência"

Praia, 03 out (Lusa) - O Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, considerou no domingo que a sua reeleição, que classificou como "histórica", resultou de um julgamento positivo do primeiro mandato e garantiu "rigor, isenção e total independência".

Lusa /

"Esta é uma eleição histórica do ponto de vista dos resultados. A vitória que alcançámos, acima dos 70 por cento, vencendo em todas as ilhas e em todos os círculos da diáspora, é a mais expressiva de sempre na democracia cabo-verdiana", disse Jorge Carlos Fonseca.

No discurso de vitória, proferido na noite de domingo na sede de campanha, na cidade da Praia, Jorge Carlos Fonseca prometeu cumprir "o papel de mais alto magistrado da nação com rigor, isenção e total independência".

O discurso foi acompanhado na sede de campanha por elementos da sua candidatura, familiares e amigos, enquanto na rua, apesar de ter sido montada uma aparelhagem de som para que o candidato se dirigisse à população, contavam-se pelos dedos das mãos os apoiantes.

Também nas ruas da capital cabo-verdiana não houve festejos.

Segundo os dados provisórios, quando estão contadas 1.161 (91,8 por cento) das 1.265 mesas, Jorge Carlos Fonseca garantiu 90.758 votos (74%), enquanto o segundo candidato mais votado, o reitor da Universidade do Mindelo, Albertino Graça, conquistou 27.698 (22,6%).

O terceiro candidato, Joaquim Monteiro, teve 4.215 votos (3,4%) numa eleição em que a abstenção se situou nos 63,8%.

"O exercício de um mandato anterior que conquistou o apoio da esmagadora maioria dos cidadãos fez com que muitos considerassem que a vitória desejada era certa e por isso não pensaram ser necessário ir às urnas", considerou Jorge Carlos Fonseca.

O chefe de Estado, que foi apoiado nesta campanha pelo partido do Governo (Movimento para a Democracia - MpD), assegurou que "continuará a ser um garante da estabilidade democrática, do cumprimento da Constituição e do primado do Estado de Direito".

Depois de um primeiro mandato de coabitação com o Governo do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Jorge Carlos Fonseca encontra agora no parlamento, no Governo e em 18 das 22 autarquias uma maioria do MpD, com quem prometeu colaborar.

"Serei um promotor ativo do diálogo entre as instituições eleitas democraticamente, mas também um promotor da paz e do desenvolvimento social, da coesão territorial", disse.

"Um construtor de pontes, com a sociedade civil, com os empresários, grandes e pequenos, com os investidores, nacionais e estrangeiros, mas também com os trabalhadores, com os estudantes, com os jovens, com os empreendedores", continuou.

Jorge Carlos Fonseca sustentou que o "resultado expressivo" que alcançou comprova que fez "uma campanha pela positiva, com ideias e com propostas concretas" e denunciou os ataques pessoais de que se sentiu alvo durante a corrida presidencial.

"Teremos uma democracia mais madura e mais perfeita quando os ataques pessoais e as calúnias gratuitas puderem passar a dar lugar ao debate e ao confronto de ideias com elevação, com ética, com princípios e com dignidade", disse, numa alusão às criticas do seu mais direto adversário, Albertino Graça.

"O tempo da campanha passou e ser o Presidente de todos significa justamente isso. Cumprimento, pois, os meus adversários, de forma respeitosa", acrescentou, assinalando que "agora é hora de voltar ao trabalho".

CFF // MP

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