"Caçadores de imigrantes". Moradores incentivam à violência contra migrantes nos bairros de Ceuta

"Caçadores de imigrantes". Moradores incentivam à violência contra migrantes nos bairros de Ceuta

Em vários bairros de Ceuta, os moradores estão a bloquear as entradas com cercas e mantêm vigílias 24 horas por dia para impedir a entrada de imigrantes.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Pedro Nunes - Reuters

O jornal El País teve acesso a grupos de WhatsApp de patrulhas de moradores que dizem estar a “limpar” Ceuta dos imigrantes que entraram recentemente no enclave espanhol.

Segundo o jornal, os moradores coordenam-se para sair durante a noite e “caçar” imigrantes que estão escondidos para fugir das autoridades e evitar a deportação para Marrocos.


"Mesmo que sejamos apenas sete, não importa. Vamos atrás deles todos. Eles estão a correr porque estão com medo", disse um dos moradores no grupo de WhatsApp, citado por El País.

“Estamos a ver baratas entre as pedras”, escreveu outro morador. “Vistam uma camisola, eu tenho uma balaclava e o carro está cheio de coisas, vamos lá”, lê-se noutra mensagem.

Os moradores afirmam que os migrantes estão a invadir as suas casas e a roubar os seus pertences.

Sandra López, secretária da Política Institucional do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) em Ceuta, deparou-se com um grupo de imigrantes que lhe disseram ter medo de entrar em certos bairros e mostraram-lhe marcas de violência.

Vários moradores alertaram a polícia para a presença dos “caçadores de imigrantes”. "Estão literalmente a dizer ao carro da polícia que há civis armados e encapuzados a causar problemas", disse um membro do grupo no local.

O partido espanhol de extrema-direita Vox foi o único a defender o direito dos moradores de Ceuta à autodefesa. “Quando vês o que é teu ameaçado — a tua zona de conforto, família, filhos — tens todo o direito do mundo de te defender. Que cada um defenda sua família com o que tiver à mão. Com um pedaço de pau, com o que for. Essa é a mensagem do Vox”, declarou Samuel Vázquez, porta-voz do partido para a Segurança e Imigração e polícia em Ceuta.

A maioria das 72 mil pessoas que entraram no enclave espanhol a 30 de julho já voltaram para Marrocos, mas cerca de 2.500 permanecem em Ceuta, incluindo vários menores não acompanhados.

Os migrantes foram expulsos do centro da cidade há alguns dias e estão agora espalhados pelas periferias, a tentar fugir das autoridades e em busca de comida, água e abrigo nos bairros.
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