Cães farejadores combatem tráfico de marfim no Quénia

Cães farejadores combatem tráfico de marfim no Quénia

O Quénia aplicou um projeto com cães farejadores treinados para detetarem chifres de marfim em encomendas. As autoridades quenianas disseram que em breve todos os pontos de entrada do país terão este novo sistema.

RTP /
Todos os anos são abatidos cerca de 300 mil elefantes em África Tyrone Siu - Reuters

A técnica utilizada - "Remote air sampling" - envolve a escolha de ambientes selados ou fechados, como contentores, veículos ou embalagens com amostras suspeitas para os cães cheirarem.

As amostras dadas aos cães para cheirar são recolhidas com filtros. Dessa forma é possível os cães farejarem qualquer tipo de objeto ilegal, disse Paul Gathitu, porta-voz do Kenya Wildlife à CNN.

De acordo com este responsável, o projeto, já implementado no porto de Mombaça, tem ajudado a aumentar as taxas de deteção de tráfico ilegal de marfim. 

Gathitu referiu ainda que este processo tem-se tornado cada vez mais eficiente, uma vez que antes tinham “de abrir as encomendas para os cães poderem cheirar” mas com esta nova técnica “basta retirar amostras de ar da encomenda”, dar a cheirar aos cães e “em poucos segundos pode identificar as pessoas com artigos ilegais”.

Este projeto foi uma colaboração entre a organização não-governamental World Wildlife Fund (WWF) – que atua em áreas de conservação, investigação e recuperação ambiental – a TRAFFIC, rede de monitorização do comércio da vida selvagem e a corporação estatal do Quénia, Kenya Wildlife Service.

Drew McVey, responsável pelo departamento de crimes da vida selvagem do WWF, disse ao jornal britânico The Independent que o novo sistema pode ser um “divisor de águas” na luta contra o comércio ilegal de marfim entre os países africanos e o mercado externo.

Acrescentou que os “sindicatos usam métodos cada vez mais sofisticados para esconder e transportar produtos ilegais” e que é importante continuar a “desenvolver esforços para combater o mercado negro”.
Tráfico de Marfim
Na última década, os animais selvagens no Quénia têm sido fortemente atacados por caçadores furtivos.

Todos os anos são abatidos cerca de 300 mil elefantes em África.

Os chifres são vendidos ilegalmente em portos africanos para países asiáticos, como a China, Tailândia e Hong Kong, onde o marfim é visto como produto um luxo.

Em 2016, o Quénia queimou chifres de elefantes e rinocerontes, no valor de 172 milhões de dólares, como forma de protesto ao combate da caça furtiva.

No Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta, em 2011, foram apreendidas cerca de 115 peças de marfim embaladas e colocadas dentro de caixas de metal.
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