Caos e frustração após tempestade travar festejos da Independência em Washington

Caos e frustração após tempestade travar festejos da Independência em Washington

O centro de Washington foi palco de cenas caóticas ao final da tarde de sábado, quando milhares de patriotas foram forçados a abandonar o recinto onde decorriam as celebrações da Independência dos EUA devido a alertas de tempestade.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Polícias aos gritos a forçar a evacuação do `National Mall`, milhares de norte-americanos a recusar arredar pé do recinto: foi assim que os avisos de uma tempestade de trovoada severa foram recebidos em Washington DC, no dia em que se celebraram os 250 anos da independência dos Estados Unidos.

Os alertas meteorológicos de tempestade começaram a chegar aos telemóveis ao final da tarde, enquanto decorriam atuações musicais e, rapidamente, escureceu o céu, que várias aeronaves continuaram a cruzar mesmo com a tempestade a aproximar-se.

Instalou-se ainda um vento muito forte, quando a polícia começou a obrigar toda a gente a sair do `National Mall`, um espaço verde e com vários monumentos no centro da capital norte-americana, onde o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tinha previsto fazer um discurso.

Contudo, foi com muita relutância que os norte-americanos deixaram o local, depois de terem passado longas horas em filas para entrar no recinto debaixo de um calor extremo, que chegou aos 40 graus celsius durante a tarde.

"É muito frustrante tudo isto. Primeiro cancelaram o desfile do 04 de Julho por causa do calor, mesmo sabendo que estas temperaturas são normais no verão de DC. Para mim esse cancelamento foi o pior de tudo. E, agora, estão a preparar-se para cancelar a restante programação. Eu vim de propósito da Califórnia para estar aqui. É só triste", protestou Bill, de 61 anos, em declarações à Lusa.

"Este é o melhor país do mundo, uma festa como esta não deveria acabar assim", acrescentou.

Apesar do calor extremo e dos alertas de tempestade não preocuparem este norte-americano, as autoridades locais acabaram por tomar decisões difíceis em prol da segurança do público, como cancelar o grande desfile que estava agendado para sábado, uma das principais atrações do Dia da Independência.

Eram esperados mais de 4.000 artistas, membros de bandas, dançarinos, organizações culturais, carros alegóricos, balões gigantes e militares em representação de todos os 50 estados do país.

Na sexta-feira, temperaturas semelhantes levaram a que mais de 40 pessoas precisassem de atendimento médico na Grande Feira Estadual Americana, outro dos principais eventos em Washington.

Essa mostra chegou a estar suspensa na sexta-feira, durante várias horas, devido ao calor excessivo.

Contudo, foram os alertas de trovoada que apanharam o público desprevenido.

"São só umas pingas de chuva, não consigo mesmo entender o motivo de estarem a expulsar esta gente toda. O Presidente Trump é à prova de tudo. Se ele aguenta esta tempestade, nós também", disse, por sua vez, Josh, de 62 anos, que viajou desde Nova Jérsia para acompanhar as maiores celebrações do país.

A polícia começou a encaminhar o público do evento para os museus das redondezas, de forma a garantir-lhe um local seguro face aos trovões que se viam no horizonte.

Mas milhares de norte-americanos recusaram cumprir as ordens e sentaram-se no chão, em torno do `National Mall`, na esperança de voltarem a entrar.

"Não volto a avisar! Têm de sair daqui já. Não vos podemos proteger da tempestade se vocês se recusam a cumprir as normas de segurança", gritava um agente da polícia através de um megafone, numa tentativa - sem sucesso - de desmobilizar o público.

Cerca de três horas após os primeiros alertas, a tempestade severa não se chegou a cumprir.

Nesse sentido, o Presidente norte-americano mantém a intenção de proferir o discurso das comemorações em Washington do 250.º aniversário da Independência.

O dirigente dos EUA deverá fazer o discurso por volta das 23:00 de sábado (04:00 de hoje em Lisboa), num palco nas imediações do Monumento a George Washington, de acordo com a "Freedom250", a entidade criada pela Administração republicana para organizar estas celebrações.

Um grande espetáculo de fogo de artifício seguir-se-á ao discurso.

O único pedido do grupo "Freedom 250" à Pyrotecnico, empresa responsável pela criação do espetáculo de pirotecnia, foi que superasse o recorde das Filipinas de 2016 para a maior queima de fogos de artifício da história, de acordo com o jornal USA Today.

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