Capacidade de humanidade se alimentar no futuro está em risco, revela relatório da ONU

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A capacidade de a humanidade se alimentar no futuro está em risco e sem esforços adicionais não se cumprirá a meta de acabar com a fome até 2030, alertou hoje uma agência das Nações Unidas.

O risco deve-se à "intensificação das pressões sobre os recursos naturais, à crescente desigualdade e às consequências de um clima em mudança", indica a Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO) num relatório divulgado hoje.

No relatório "O Futuro da Alimentação e da Agricultura: Tendências e Desafios" são analisadas 15 tendências globais e indicados os 10 desafios a vencer para "alcançar a segurança alimentar e nutrição para todos e tornar a agricultura sustentável".

A FAO refere que "a população mundial deve crescer para quase 10 mil milhões (7,4 mil milhões atualmente) até 2050, aumentando a procura agrícola - num cenário de crescimento económico moderado - em cerca de 50% em relação a 2013", com a consequente pressão sobre os recursos naturais.

"Serão necessárias grandes transformações nos sistemas agrícolas, nas economias rurais e na gestão dos recursos naturais para alcançar todo o potencial da agricultura e conseguir um futuro seguro e saudável para todos", adianta.

Precisa que os aumentos de produção necessários para responder à procura terão de vir sobretudo de "melhorias na produtividade e de um eficaz uso de recursos".
"Esforços adicionais"
O relatório assinala que, embora a fome e a pobreza extrema tenham vindo a ser reduzidas globalmente desde os anos 1990, continuam a existir "cerca de 700 milhões de pessoas, sobretudo nas zonas rurais, extremamente pobres", enquanto "perto de 800 milhões passam fome cronicamente e dois mil milhões registam deficiências de micronutrientes".

A FAO alerta assim para a necessidade de "esforços adicionais para promover o desenvolvimento em prol dos pobres", da redução das desigualdades e da proteção dos mais vulneráveis, sem os quais "mais de 600 milhões de pessoas continuarão subnutridas em 2030".

Erradicar a fome até 2030 é o segundo dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável aprovados numa cimeira da ONU em 2015, mas, avisa a FAO, "a atual taxa de avanço não é suficiente sequer para erradicar a fome até 2050".

A agência da ONU considera que as estratégias de desenvolvimento favoráveis aos mais pobres permitirão que estes também beneficiem do investimento na agricultura e melhorem o seu rendimento, dando "resposta às causas que estão na raiz da migração".

As mudanças do clima constituem um obstáculo adicional, já que afetam "todos os aspetos da produção de alimentos", diz o relatório, referindo "uma maior variabilidade da precipitação e aumentos na frequência de secas e inundações".
"Um custo elevado"
O relatório lembra ainda que o crescimento económico e o aumento da produção de alimentos tiveram "um custo elevado para o ambiente" e que "quase metade das florestas (...) desapareceu", enquanto "as fontes de água subterrâneas se estão a esgotar rapidamente" e "a biodiversidade foi profundamente prejudicada".

"Se as tendências atuais se mantiverem, os limites do planeta podem ser ultrapassados", adverte o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, na introdução do relatório.

Sendo o desafio principal produzir mais com menos, também é necessário investir em investigação, promover a inovação e "encontrar melhores formas de lidar com questões como a escassez de água e as alterações climáticas", assinala a agência da ONU.

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