Cardeal Saraiva Martins acredita que Francisco pode revolucionar a Igreja
Paulo Rocha, para a agência Lusa
Vaticano, 15 mar (Lusa) - O cardeal português José Saraiva Martins acredita que o papa Francisco é a escolha certa para promover o diálogo e as "reformas" necessárias dentro da Igreja Católica a um melhor funcionamento das instituições católicas.
O antigo prefeito da Congregação para a Causa dos Santos considera que há "algumas reformas bastante urgentes" e dá como "exemplo" a necessidade de existir "mais diálogo" entre o papa e os diferentes órgãos eclesiais.
Para o cardeal português, que não votou nesta eleição por ter mais de 80 anos, as primeiras intervenções do novo papa podem ser sinal de que o argentino quer implementar "a revolução que o mundo espera da Igreja", sendo sinal disso a escolha do nome, em homenagem a "Francisco de Assis".
Agora, o purpurado espera que uma modernização da Cúria Romana e dá mesmo uma sugestão: "Antes havia uma norma que obrigava os presidentes das congregações romanas a terem uma audiência pessoal com o Papa, uma vez por mês: seria uma coisa muito boa".
O cardeal português descreve o sucessor de Bento XVI como um "homem extraordinário", que "sempre" demonstrou ser "um grande pastor, como sacerdote e como bispo, e portanto vai ser um ótimo pastor como Papa também".
No entender do cardeal português de 81 anos, "o que a Igreja mais precisa" é de alguém "que esteja junto das suas ovelhas, do Povo de Deus" e o Papa argentino irá "estar sempre pertinho das suas ovelhas, para anunciar o Evangelho".
O antigo arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, foi escolhido na quarta-feira como o novo Papa da Igreja Católica, depois de um Conclave que contou com a participação de 115 eleitores, incluindo dois português: o cardeal-patriarca de Lisboa, José Policarpo, e Manuel Monteiro de Castro, penitenciário-mor da Santa Sé.
Natural da Guarda, Saraiva Martins está em Roma há mais de 50 anos, e integra estruturas da Santa Sé como a Congregação para os Bispos e a Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos.
Quanto ao futuro, o cardeal diz que vai continuar em Roma, segundo a indicação que recebeu da Santa Sé.
"Fiquei aqui porque o Papa me mandou, tive sempre como principio na minha vida eclesial nada pedir e nada recusar, e cá ficarei", disse.