Catorze seguranças de casino detidos em Macau por chantagem e coação
Catorze seguranças de um casino em Macau foram detidos esta semana sob suspeita de associação criminosa, extorsão e coação, anunciou na quinta-feira à noite a Polícia Judiciária (PJ) do território.
"O grupo estava em atividade desde março de 2025, era estável, com funções claramente definidas, e contava com a orientação do responsável pela segurança do casino envolvido no caso", indicou a PJ nas redes sociais.
A polícia acredita que o grupo extorquiu pagamentos a pelo menos 30 pessoas entre março de 2025 e julho de 2026, em troca de ocultar suspeitas de roubo, fraude e outras infrações dentro do casino.
Para evitar serem detetados, os membros do grupo passaram a recorrer a um intermediário que confirmava os alvos através de fotografias, enquanto os seguranças intensificavam as fiscalizações e cobravam uma "taxa de proteção" mensal de 10.000 dólares de Hong Kong (1.107 euros).
Ainda de acordo com a PJ, oito dos seguranças envolvidos no caso eram responsáveis por coagir ou cobrar as taxas, enquanto cinco intermediários tratavam da negociação dos detalhes dos valores e da transmissão dos pagamentos.
De acordo com a PJ, quem recusasse pagar era levado para o posto de segurança, onde era intimidado, incluindo com "ameaças de entrega às autoridades ou de deportação".
Inicialmente, a organização criminosa cobrava taxas a entre duas e cinco pessoas, mas nos últimos meses esse número aumentou para 20.
No dia 28 de julho, a PJ realizou operações de detenção "no casino e em várias residências, tendo localizado sete indivíduos envolvidos em crimes relacionados com jogo que tinham sido forçados a pagar proteção para atuar como testemunhas".
Durante a operação, as autoridades apreenderam um total de 24 telemóveis, 201.900 dólares de Hong Kong (22.300 euros) em dinheiro, 15.500 patacas (1.667 euros) em numerário e 137.000 dólares de Hong Kong (15.181 euros) em fichas.
"Os 14 detidos foram agora encaminhados ao Ministério Público por associação criminosa, extorsão, coação e cumplicidade", afirmou a PJ.