CDU/CSU de Angela Merkel com mais três deputados que SPD

CDU/CSU de Angela Merkel com mais três deputados que SPD

Os democratas-cristãos têm mais três deputados no Bundestag (Parlamento Federal) do que os sociais-democratas, após as eleições legislativas antecipadas de domingo na Alemanha.

RTP com Lusa /
EPA

No entanto, como nem a CDU/CSU, em conjunto com os Liberais, nem o SPD e os Verdes, partidos do actual Governo, tiveram maioria absoluta, a formação do novo executivo obrigará a complicadas negociações entre todos os partidos.

Só o Linkspartei-PDS, que hipoteticamente poderia suportar um novo Governo SPD/Verdes, está excluído do jogo das alianças possíveis, porque todos os outros partidos se recusam a fazer acordos com os neo- comunistas e esquerdistas.

Apesar de a CDU/CSU ter sido o partido mais votado, com 35,2 por cento, Gerhard Schroeder contestou a legitimidade de Angela merkel para ser o novo chanceler federal.

Ainda na noite das eleições, Schroeder afirmou que não haverá uma grande coligação da CDU/CSU com o SPD sob a direcção de Angela Merkel.

Segundo os resultados oficiais provisórios das eleições, divulgados hoje de madrugada em Berlim, a CDU/CSU terá 225 lugares no Bundestag, o SPD 222, os Liberais do FDP 61, o Linkspartei-PDS 54 e os Verdes 51 lugares.

A CDU/CSU reuniu 35,2 por cento dos votos expressos, o SPD 34,3, os Liberais 9,8, o Linkspartei-PDS 8,7 e os Verdes 8,1 por cento.

A abstenção cifrou-se nos 22,3 por cento, mais 1,4 por cento do que nas legislativas de 2002.

Aritmeticamente, uma grande coligação CDU/CSU/SPD teria 447 deputados, uma coligação SPD/Liberais/Verdes 334, uma aliança entre a CDU/CSU, Liberais e Verdes 337, e um bloco formado pelo SPD, Verdes e PDS 327 lugares.

Angela Merkel reclama um mandato para formar o novo Governo, porque a CDU/CSU foi a força política mais votada e a que tem agora mais deputados.

Mas Gerhard Schroeder exige o mesmo, apesar de o SPD e os Verdes terem perdido a maioria absoluta com que governaram nos últimos sete anos.

Numa ronda de líderes partidários na televisão, Schroeder afirmou que Merkel «não conseguirá fazer nenhuma coligação com o SPD, se insistir em ser chanceler».

O dirigente social-democrata acrescentou que só ele está em condições de formar um Governo estável.

Merkel, por sua vez, garantiu que irá «encontrar um caminho» para falar com os sociais-democratas, dando a entender que poderá tentar rodear Schroeder e negociar com outros responsáveis do SPD.

Fontes da CDU revelaram entretanto que Angela Merkel se submeterá hoje de novo ao voto, mas desta vez no interior do partido, que escolherá o líder parlamentar.

Merkel tentará assim assumir o comando das negociações para formar um novo executivo, mas a sua posição ficou enfraquecida com o mau resultado eleitoral, muito aquém das expectativas, e um novo fiasco poderá custar-lhe a presidência da CDU, como refere hoje a imprensa alemã.

O SPD, por sua vez, insiste na possibilidade de uma coligação com os Verdes e os Liberais, apesar de o presidente destes últimos, Guido Westerwelle, ter recusado categoricamente, no domingo, aliar-se aos partidos do actual Governo.

Os neo-comunistas do PDS, liderados pró Gregor Gysi e pelo ex- presidente do SPD, Oskar Lafontaine, festejaram o êxito, sublinhando que voltou a existir em toda a Alemanha uma força política com representação parlamentar à esquerda do SPD.

Entretanto, o SPD, do Chanceler Gerhard Schroeder, já iniciou contactos com a oposição, conservadores, liberais e verdes, para formar uma coligação, segundo informou o porta-voz da SPD, Franz Muentefering.

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