CEDEAO apela à libertação de presos políticos diz PR cabo-verdiano
A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) voltou a apelar à libertação dos presos políticos na Guiné-Bissau, no domingo, durante a cimeira ordinária da organização, disse o Presidente cabo-verdiano, José Maria Neves.
José Maria Neves participou na reunião, na Serra Leoa, e disse à Rádio Cabo Verde (RCV) que foi feito "um apelo no sentido da libertação incondicional de todos os presos políticos" e da "concertação entre os diferentes atores políticos" para "a transição para a democracia" na Guiné-Bissau.
"Foram reafirmadas as posições da reunião anterior: a necessidade de se continuar o diálogo, de se fazer a inclusão, para se garantir a transição para a ordem democrática", acrescentou.
A cimeira indicou que a intermediação com a Guiné-Bissau continuará a ser assegurada pelo Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye.
A Guiné-Bissau foi palco de um golpe de Estado em vésperas da publicação dos resultados das eleições legislativas e presidenciais que tinham decorrido sem incidentes, em novembro de 2025.
Na sequência da ação militar, Domingos Simões Pereira, presidente do parlamento e líder da oposição, foi detido e, após dois meses na cadeia, regressou a casa, mas impedido de se movimentar.
Em junho, foi tornado público um despacho judicial em que Simões Pereira foi constituído suspeito de apoiar um outro alegado golpe tentado antes das eleições, estando encarcerado novamente na Segunda Esquadra desde 10 de julho.
A família e a defesa de Domingos Simões Pereira têm contestado o processo, classificando-o como perseguição política, apelando à mobilização da comunidade internacional.
Com a tomada do poder pelo Alto Comando Militar, o general Horta Inta-a foi nomeado Presidente guineense de transição.
O Alto Comando Militar que governa o país marcou novas eleições para 06 de dezembro, aprovou uma nova Constituição que atribui mais poderes ao chefe de Estado e que será submetida a referendo em 30 de agosto.
A oposição classifica o golpe militar de novembro de 2025 como uma alegada encenação do Presidente deposto, Sissoco Embaló, que acusam de continuar a comandar os destinos da Guiné-Bissau.