Centenas de sírios dizimados no pior massacre do regime de al-Assad

Centenas de sírios dizimados no pior massacre do regime de al-Assad

A Síria poderá ter chegado ao limite das confrontações, depois de os militares leais ao Presidente Bashar al-Assad terem desencadeado uma ofensiva na localidade de Treimsa, no que está a ser visto como o pior massacre desde início dos combates entre rebeldes e forças governamentais. O Observatório Sírio dos Direitos Humanos lê neste ataque indiscriminado, que poderá ter feito até três centenas de mortos, maioritariamente entre a população civil, um sinal “do princípio do fim do regime de Assad”.

RTP /
EPA

De acordo com ativistas e habitantes, mais de 200 pessoas foram vítimas do ataque levado a cabo esta quinta-feira contra Treimsa, no centro da Síria, um número que os ativistas dos Direitos Humanos dizem poder chegar às três centenas. Ataque das forças governamentais e das milícias “shabia” provocou 200 mortos em Treimsa, localidade da província síria de Hama, centro do país. Parte das vítimas terá morrido durante o bombardeamento, mas muitas outras foram executadas.

As descrições apontam para um modus operandi que não é novo de coordenação entre as forças armadas sírias e as milícias “shabia”, constituídas por mercenários ao serviço do regime de al-Assad.

Referem testemunhas do ataque que numa primeira fase a cidade foi bombardeada por tanques e helicópteros. No final dos bombardeamentos, que poderão ter durado até 10 horas, as milícias shabia entraram em Treimsa, alvejando os habitantes, numa repetição do método de execução sumária já levado a cabo noutros pontos de resistência.

Seguindo uma estratégia propagandística, a televisão estatal informava que três membros das forças de segurança foram mortos por grupos terroristas durante os confrontos.

Numa declaração recolhida pela TSF, Sipan Hasan, do Observatório dos Direitos Humanos, explicou que o bombardeamento se prolongou até ao meio-dia, tendo logo após a “milícia shabia, juntamente com as forças de segurança do regime, entrado na cidade e, sem perguntas, começado a matar indiscriminadamente”.
O princípio do fim de Bashar al-Assad
“O silêncio da comunidade internacional, com apoio à Síria por parte da Rússia e da China, levará a que o regime continue a matar civis”, teme Sipan Hasan. Vários testemunhos apontam para o pior massacre desde o início dos confrontos entre os rebeldes e as forças sírias. Em declarações à agência France Press, os rebeldes assinalaram o balanço de vítimas mortais na ordem das duas centenas.

Para já, o Observatório Sírio dos Direitos do Homem confirma a morte de mais de 100 civis.

“Enquanto massacre, este foi o pior dos últimos tempos e estes números não se comparam a anteriores. É um sinal muito claro de que este é o princípio do fim do regime de Bashar al-Assad”, sustentou Sipan Hasan, numa entrevista à rádio portuguesa. O embaixador russo na ONU deixou clarao que se opõe a qualquer resolução que proponha sanções contra a Síria ao abrigo do capítulo VII da Carta das Nações Unidas, o qual permite uma intervenção militar caso as sanções impostas não sejam implementadas. "Somos completamente contra o capítulo VII", declarou Alexander Pankin, para esclarecer que "tudo é negociável mas não negociamos isso, é uma linha vermelha"

Para impedir que sejam cometidos novos massacres pelas tropas leais a al-Assad, os líderes da oposição síria pedem ao Conselho de Segurança das Nações Unidas uma resolução que obrigue o regime a colocar um ponto final no uso da força contra as populações.

"Para parar com esta loucura sangrenta que ameaça a Síria, a paz e a segurança na região e no mundo, é necessária uma resolução urgente e forte do Conselho de Segurança", propugnou o Conselho Nacional Sírio, principal coligação da oposição.

Trata-se contudo de um passo difícil de dar em Nova Iorque, já que Moscovo e Pequim estão entrincheirados numa aliança antiga com o poder sírio, tendo inviabilizado até ao momento qualquer ação que possa levar à queda do atual regime de Damasco.
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