Cerca de 100 mil pessoas fugiram dos combates no Sudão do Sul este mês
Cerca de 100 mil pessoas fugiram do Sudão do Sul à procura de refúgio na Etiópia este mês, após o exército sul-sudanês ordenar aos residentes que se retirassem de uma zona controlada pela oposição, afirmou hoje a Unicef.
O país, cada vez mais instável, está a assistir à retoma dos combates entre as forças governamentais e da oposição, principalmente no estado de Jonglei (centro-leste do Sudão do Sul).
A população deslocada é extremamente vulnerável: um quarto das crianças com menos de 5 anos que foram forçadas a abandonar as casas sofre agora de subnutrição, um nível "alarmante", segundo um comunicado do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
A 06 de março, o exército sul-sudanês exigiu que os civis que viviam em Akobo, uma cidade no leste de Jonglei controlada pelas forças da oposição, se deslocassem para áreas sob o seu controlo ou para áreas consideradas mais seguras.
Por outro lado, ordenou que a missão da ONU no Sudão do Sul e as Organizações Não-Governamentais (ONG) presentes em Akobo se retirassem imediatamente, perante "ofensivas militares". A missão das Nações Unidas, contudo, recusou-se a cumprir a ordem.
O exército do Sudão do Sul afirmou ter assumido o controlo de Akobo, mas no sábado foram reportados confrontos perto da cidade, de acordo com uma fonte de segurança.
Segundo a Unicef, 28 instalações de saúde e nutrição foram destruídas desde janeiro em Jonglei, enquanto a saúde pública foi devastada por anos de corrupção, com cerca de 80% dos serviços de saúde no Sudão do Sul a serem prestados por doadores estrangeiros.
"Todos aqueles que recebiam tratamento no Hospital Akobo --- anteriormente um refúgio seguro para doentes e feridos --- já partiram. Os relatos indicam que o hospital foi saqueado e está agora fechado", observou a Unicef.
O estado de Jonglei está no centro dos combates que opõem as forças governamentais leais ao Presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, às milícias da oposição leais ao seu antigo rival, Riek Machar, desde dezembro, após o colapso de um acordo de partilha de poder há um ano.
Riek Machar está em prisão domiciliária há quase um ano e é acusado de "crimes contra a humanidade".
O Sudão do Sul, que se separou do Sudão em 2011, após quase quatro décadas de guerras contra Cartum, viveu uma sangrenta guerra civil entre 2013 e 2018, que opôs as forças de Kiir e Machar. O conflito já fez mais de 400 mil mortos.