Cerimónias fúnebres de Kim Jong-il já começaram
Seul, 28 dez (Lusa) -- O funeral do antigo líder norte-coreano Kim Jong-il, já teve início, noticiou hoje de manhã a agência russa ITAR-TASS.
A cerimónia decorre no Palácio Memorial de Kumsusan, onde o corpo de Kim Jong-il repousa num caixão de vidro, que deverá ser acompanhado num cortejo pelas centenas de milhares de pessoas que são esperadas nas ruas para dar o último adeus ao ex-líder norte-coreano.
A imprensa oficial tem vindo a prestar tributo ao seu "querido líder", mas não revelou exatamente quando é que as exéquias teriam início na capital pintada de branco pela neve.
Hoje a televisão estatal da Coreia do Norte mostrou imagens, ainda que não datadas, de um desfile de massas no Palácio Memorial, onde repousam os restos mortais de Kim rodeados de flores vermelhas "Kimjongilia".
Segundo as agências internacionais, Pyongyang não terá endereçado convites a qualquer delegação estrangeira.
Kim Jong-il, de 69 anos, morreu no dia 17 de dezembro na sequência de um ataque cardíaco, segundo a versão oficial. E, vários diasdepois, a máquina de propaganda do fechado regime comunista continua a glorificá-lo, enquanto Pyongyang se prepara para um novo ciclo, sob a liderança do filho, Kim Jong-un.
O culto da personalidade de Kim Jong-un, ferramenta vital para a legitimidade do regime, também já começou na imprensa, que o qualifica como o "Grande Sucessor".
Na terça-feira, o Rodong Sinmun, órgão oficial do Partido dos Trabalhadores, único na Coreia do Norte, escreveu o nome do novo líder a negrito, um privilégio reservado até agora a Kim Il-sung, fundador da Coreia do Norte, e a Kim Jong-il, filho e sucessor na liderança do país.
Kim Jong-un, filho de Kim Jong-il, foi designado novo líder do país após o anúncio da morte do seu pai no dia 19 e a imprensa oficial referiu-se a ele, posteriormente, como "comandante supremo" do Exército e líder do Partido dos Trabalhadores.
A nova distinção, tipográfica, é mais um sinal que a transição de poder ocorre sem problemas para o terceiro representante da única dinastia comunista do mundo.
Ainda que os meios de comunicação oficiais da Coreia de Norte não tenham dado detalhes sobre as exéquias fúnebres de hoje, espera-se que seguiam a mesma linha das celebradas em honra do "presidente eterno" Kim Il-sung.
Na altura, um cortejo motorizado com o cadáver do líder norte-coreano passeou pelas ruas de Pyongyang diante de centenas de milhares de pessoas.
Em edifícios e praças da capital norte-coreana instalaram-se imagens e fotografias de grande dimensão de Kim Il-sung, diante das quais os cidadãos colocaram flores e deixaram mensagens.
Os meios de comunicação social da Coreia do Sul, também com base na cobertura (possível) do funeral do pai de Kim, preveem que os militares disparem tiros de salva marchando até ao centro da capital norte-coreana, acompanhando a limusina com o caixão de Kim Jong-il e um outro carro com uma foto sua de grande escala com música.
As cerimónias fúnebres só ficam completas na quinta-feira.
Kim Jong-il, que liderou os norte-coreanos desde 1994, deixou a Coreia do Norte como um dos mais isolados países do mundo e é considerado responsável por uma das maiores vagas de fome da recente história mundial, em que morreram mais de um milhão de pessoas, segundo observadores internacionais.