Ceuta acusa Marrocos de incentivar travessias em massa na fronteira

Ceuta acusa Marrocos de incentivar travessias em massa na fronteira

A crise humanitária vivida em Ceuta, e agravada nos últimos dias, tem sido tema de debate, com cada vez mais vozes críticas a Marrocos.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Violeta Santos Moura - Reuters

O perfeito de Ceuta não tem dúvidas de que o número de vítimas em ambos os lados da fronteira é muito superior ao conhecido e aponta o dedo a Rabat por não evitar o fluxo migratório, por incentivar ou pelo menos permitir as travessias.

O Governo da cidade autónoma estima que continuem em Ceuta milhares de pessoas, apesar de a maioria já ter regressado a Marrocos. Em declarações à imprensa espanhola, o líder regional disse que a situação não está resolvida e que os últimos dias foram marcados por “angústia, medo, sentimento de impotência e pavor”.

Para Juan Jesús Vivas a integridade territorial de Ceuta foi “violada” pela entrada massiva de migrantes, ataque que se não foi “orquestrado” foi “pelo menos incentivado ou permitido por Marrocos”. "É uma atrocidade", disse Juan Jesús Vivas, o líder conservador do território, ao El País. "Há 88 corpos no necrotério e mais do outro lado da fronteira”.

Segundo o governador da cidade autónoma, houve um acontecimento semelhante em maio de 2021, quando Rabat reduziu os controlos de fronteira e permitiu que dez mil pessoas entrassem em Ceuta ao longo de dois dias, durante um impasse diplomático sobre a decisão de Madrid de permitir que um líder independentista do Saara Ocidental fosse tratado da Covid-19 na Espanha.

Desta vez, alguns especialistas, citados pelo Guardian, sugerem que a recente reaproximação da Espanha com a Argélia, que mantém relações difíceis com Rabat, pode ter desencadeado uma resposta de Marrocos. As autoridades locais acusam também Rabat de usar os fluxos migratórios como instrumento de pressão política. Hipótese que o Governo espanhol não exclui também.

"Nem a Espanha nem Marrocos podem ignorar esta tragédia", disse a ministra da Defesa de Espanha, em conferência de imprensa na segunda-feira. "Peço ao Governo marroquino que investigue a fundo o ocorrido”.

Mas o líder regional critica também a resposta de Madrid a esta crise, por ser “manifestamente tardia e manifestamente insuficiente”. A cidade autónoma espanhola de Ceuta, situada no norte de África, registou desde quinta-feira uma entrada em massa de migrantes vindos de Marrocos, que as autoridades locais estimaram em cerca de 60.000 pessoas, acima das cerca de 50.000 entradas contabilizadas pelo Governo de Madrid. A maioria dos migrantes regressou, entretanto, voluntariamente a Marrocos, segundo o Ministério da Administração Interna espanhol.

Ceuta, um pequeno território situado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla.
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