Chefes da diplomacia norte-americana e russa discutem guerra na Ucrânia em Manila
Os chefes da diplomacia dos Estados Unidos e da Rússia, Marco Rubio e Sergei Lavrov, respetivamente, reuniram-se hoje em Manila para discutir a guerra na Ucrânia e possíveis formas de pôr fim ao conflito.
"O encontro entre Lavrov e Rubio começou em Manila", anunciou o ministério russo dos Negócios Estrangeiros numa mensagens no canal Telegram, acompanhada de um vídeo da chegada do representante de Moscovo à sala onde decorreu a reunião, realizada à margem do encontro de chefes da diplomacia da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).
Na quarta-feira, o secretário de Estado norte-americano afirmou que a guerra na Ucrânia "dificultou em muitos aspetos a capacidade da Rússia e dos Estados Unidos para encontrar pontos em comum", embora não tenha excluído procurar "outras áreas de possível cooperação".
"Somos os dois países com maior arsenal nuclear do planeta. Não falar seria imprudente e irresponsável. Temos de manter uma relação com o Governo russo, mesmo havendo áreas de desacordo, e no caso da Ucrânia talvez haja uma oportunidade, se pudermos desempenhar um papel construtivo, para pôr fim ao conflito", sublinhou Rubio perante os jornalistas.
Lavrov assegurou também na quarta-feira que Moscovo considera que, "por enquanto", os EUA não abandonaram as propostas apresentadas na cimeira de agosto de 2025, no Alasca, onde se reuniram os presidentes Vladimir Putin e Donald Trump.
Embora essas propostas não sejam públicas, a imprensa ocidental informou na altura que Trump se mostrou disposto a aceitar que a Rússia ficasse com toda a província ucraniana do Donbass, desde que cessasse os combates na Ucrânia.
Nos últimos meses, Rubio tem sido mais crítico da campanha militar russa, classificando-a como um "fracasso estratégico" e afirmando que Moscovo não tem hipóteses de vencer a guerra, declarações que desagradaram a Lavrov.
As negociações de paz entre Moscovo e Kiev, com mediação de Washington, estão bloqueadas desde fevereiro, quando os EUA lançaram a sua ofensiva contra o Irão. Desde então, os ucranianos intensificaram ataques contra a retaguarda russa, levando Moscovo a aumentar os bombardeamentos sobre Kiev e o porto de Odessa, no Mar Negro.
Rubio reiterou esta quarta-feira o desejo de que a guerra, iniciada em fevereiro de 2022, termine e voltou a apresentar-se como mediador entre as partes.
"Os Estados Unidos continuam abertos e dispostos a desempenhar um papel construtivo para pôr fim a esta guerra (...), acreditamos que neste momento, e penso que os russos concordariam, provavelmente somos o único país do mundo capaz de desempenhar esse papel", afirmou o chefe da diplomacia norte-americana.