China acusa Japão de usar "ameaça chinesa" para justificar rearmamento
A China acusou na terça-feira o Japão de exagerar a "ameaça chinesa" para justificar o rearmamento, após Tóquio classificar a atividade militar de Pequim como um "desafio estratégico sem precedentes" num relatório de Defesa de 2026.
Num comunicado divulgado na terça-feira à noite, o porta-voz do ministério da Defesa chinês, Chen Xi, afirmou que o novo documento japonês está "repleto de narrativas falsas" e exagera uma alegada "crise de segurança" na região.
Chen considerou que o texto procura justificar o reforço das capacidades militares do Japão, manifestando a "forte insatisfação" e a "firme oposição" de Pequim.
O porta-voz acusou ainda as autoridades japonesas de utilizarem o princípio de uma política "exclusivamente defensiva" como cobertura para rever os principais documentos de segurança, aumentar as despesas militares, desenvolver capacidades ofensivas de longo alcance e promover a militarização do espaço.
Chen sustentou também que o Japão procura apresentar a expansão da indústria de defesa como um motor de crescimento económico, visando integrar o rearmamento nas suas estruturas institucionais, económicas e sociais.
"O novo militarismo japonês tornou-se um grave desafio à ordem internacional do pós-guerra e uma verdadeira ameaça à paz e à estabilidade regional", afirmou.
O ministério da Defesa chinês sublinhou igualmente que a questão de Taiwan diz respeito à soberania e à integridade territorial da China e constitui uma "linha vermelha intransponível" nas relações entre Pequim e Tóquio.
O Livro Branco da Defesa do Japão, aprovado na terça-feira, refere que a atividade militar chinesa se intensificou entre abril de 2025 e março de 2026, incluindo operações com porta-aviões no Pacífico, aproximações de caças chineses a aeronaves japonesas e um incidente envolvendo a utilização de radar de controlo de tiro.
O documento defende ainda o reforço da indústria militar japonesa e dedica, pela primeira vez, um capítulo às "novas formas de combate", em particular ao recurso a drones e à inteligência artificial.
As relações entre a China e o Japão continuam tensas desde que a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, afirmou, no final de 2025, que um eventual ataque chinês contra Taiwan poderia constituir uma ameaça à sobrevivência do Japão e justificar a intervenção das Forças de Autodefesa japonesas.