China alerta para risco de instabilidade na América Latina

A China voltou hoje a reclamar a "libertação imediata" do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, capturado no sábado por forças dos Estados Unidos durante uma operação militar em Caracas, e alertou para o risco de instabilidade na América Latina.

Lusa /
Jessica Lee - EPA

"O uso da força pelos EUA viola claramente o direito internacional e os princípios fundamentais das relações internacionais", afirmou o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, durante uma conferência de imprensa em Pequim.

Lin manifestou "profunda preocupação" com a detenção de Maduro e da sua esposa, Cilia Flores, e instou Washington a "garantir a sua segurança pessoal" enquanto permanecerem fora da Venezuela, além de exigir a sua libertação.

O porta-voz denunciou o "uso descarado da força" contra um país soberano, acusando os EUA de "ameaçar a paz e a estabilidade na América Latina e nas Caraíbas", região que a China considera uma "zona de paz".

Pequim reiterou a sua oposição ao uso ou ameaça de uso da força nas relações internacionais e às práticas de "assédio hegemónico".

Lin apelou à resolução da crise na Venezuela através do diálogo e negociação, e manifestou apoio à convocação de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Questionado sobre contactos com Caracas, Lin afirmou que a China "respeita a soberania e independência da Venezuela" e acredita que o país "lidará com os seus assuntos internos de acordo com a Constituição e as leis", sem confirmar se houve conversações com a vice-presidente Delcy Rodríguez, que assumiu interinamente o cargo de chefe do Executivo.

Sobre a cooperação bilateral, o porta-voz sublinhou que os projetos energéticos entre os dois países "são entre Estados soberanos" e estão protegidos pelo direito internacional. Acrescentou que, "independentemente das mudanças na situação interna venezuelana", a disposição da China para aprofundar a cooperação com Caracas "não se alterará" e que os "interesses legítimos" de Pequim "continuarão a ser salvaguardados".

Lin rejeitou ainda que a China procure estabelecer "esferas de influência" na América Latina, frisando que a sua política para a região é "coerente e estável", baseada na não ingerência, igualdade e benefício mútuo, sem alinhamentos ideológicos.

"A China continuará a ser um bom amigo e parceiro" dos países da região, afirmou, acrescentando que está pronta para cooperar com eles na defesa da Carta da ONU e da justiça internacional, bem como para responder às tensões decorrentes da situação na Venezuela.

As declarações surgem num contexto de elevada tensão, após os EUA terem capturado Maduro e o terem transferido para Nova Iorque, onde se encontra detido.

O episódio motivou críticas de vários governos e o pedido de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, que se realiza hoje.

 

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