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China alerta que `hegemonia predatória` acelera declínio dos EUA

China alerta que `hegemonia predatória` acelera declínio dos EUA

O jornal oficial do Partido Comunista Chinês afirmou hoje que a ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão expõe uma "hegemonia predatória" que poderá acelerar o declínio da influência global de Washington.

Lusa /
Dado Ruvic - Reuters

Num artigo de opinião assinado por `Zhong Sheng`, pseudónimo usado pelo Diário do Povo para expressar posições oficiais, Pequim sustenta que a política externa norte-americana assenta numa lógica de extração de benefícios de aliados e adversários, tratando as relações internacionais numa "lógica de tudo ou nada".

Segundo o texto, os Estados Unidos (EUA) passaram de "construtor da ordem internacional" a "violador de regras" e "sabotador da cooperação", recorrendo à "lei da selva" para manter uma posição dominante.

"As ações dos Estados Unidos expuseram a sua hegemonia predatória (...) tudo isto demonstra claramente que os EUA estão a degenerar rapidamente para um sistema em que `a força faz o direito`", refere o artigo.

O comentário aponta duas tendências: uma degradação do papel internacional dos EUA, que abandonaram a imagem de "país responsável", e uma mudança estratégica motivada pela ansiedade face ao declínio relativo do poder norte-americano.

Citando dados do Banco Mundial, o texto assinala que a fatia norte-americana do PIB global caiu de cerca de 40% em 1960 para 25% em 2023, num contexto de ascensão de outras economias e do Sul Global, os países em desenvolvimento.

O artigo recupera o conceito de "hegemonia predatória", proposto pelo académico norte-americano Stephen Walt, para argumentar que essa abordagem mina a credibilidade internacional dos EUA e acelera a perda de aliados.

"Quando cada interação visa extrair o máximo benefício, os aliados deixam de se sentir seguros e os países neutros procuram alternativas", lê-se no texto, que cita uma sondagem da Gallup segundo a qual a aprovação dos EUA em 44 países caiu mais de 10 pontos percentuais em 2025.

O comentário sustenta ainda que esta estratégia ignora a crescente multipolaridade global e defende que o mundo caminha para um sistema mais plural, impulsionado pela "automarginalização" das potências hegemónicas.

"A hegemonia predatória contém as sementes da sua própria destruição", acrescenta, citando um artigo de Stephen Walt na revista Foreign Affairs, segundo o qual, a longo prazo, os EUA se tornarão "mais pobres, menos seguros e perderão influência".

Vários analistas chineses têm manifestado posições semelhantes, argumentando que a política externa norte-americana, desde o regresso de Donald Trump à presidência, alienou aliados, enfraqueceu a credibilidade internacional e reduziu a influência global dos EUA.

A ofensiva militar contra o Irão, iniciada a 28 de fevereiro em coordenação com Israel, agravou a perceção de instabilidade, sem alcançar objetivos rápidos e transformando-se num impasse dispendioso para os EUA, segundo analistas chineses.

Entre os sinais de declínio apontados estão a recusa de aliados da NATO em apoiar os ataques, dificuldades no terreno e o aumento dos custos internos, num contexto de disrupções no estreito de Ormuz que pressionam os preços da energia.

 

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