China ameaça Filipinas com "amargas consequências" após incidente marítimo
O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, advertiu hoje as Filipinas de que terão de "suportar amargas consequências", caso continuem a provocar Pequim com apoio de países terceiros, na sequência de novo incidente no Mar do Sul da China.
Durante um encontro em Manila com a homóloga filipina, Theresa Lazaro, Wang apresentou um "veemente protesto" pelo que Pequim classificou como um "ato agressivo de abalroamento" de um navio da guarda costeira chinesa por embarcações militares filipinas junto ao atol Second Thomas, disputado por ambos os países.
Foi o terceiro dia consecutivo em que a China protestou oficialmente contra o incidente ocorrido na passada segunda-feira, envolvendo um navio da guarda costeira chinesa e duas embarcações insufláveis da Marinha filipina.
Segundo um comunicado divulgado hoje pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang afirmou que as relações bilaterais se encontram "numa encruzilhada" e que cabe a Manila fazer "uma escolha correta e racional".
"Os factos provaram que permitir a interferência de forças externas e amplificar deliberadamente as divergências marítimas apenas transformará as Filipinas numa ferramenta de outros países", declarou.
"Tentar provocar e criar problemas com a ajuda de países de fora da região fará com que as Filipinas acabem por suportar as amargas consequências das suas próprias ações", acrescentou.
Wang acusou ainda "certas forças" nas Filipinas, em particular elementos das Forças Armadas e das autoridades policiais, de criarem deliberadamente incidentes sempre que os dois países se preparam para retomar o diálogo.
"Essas pessoas não têm em mente o bem-estar do povo filipino. Estão a executar a agenda de forças externas enquanto procuram benefícios pessoais", afirmou.
O chefe da diplomacia chinesa sustentou também que a China "nunca constituiu uma ameaça para a segurança das Filipinas" e "nunca invadiu nem colonizou" o país, defendendo que as disputas marítimas devem ser resolvidas através do diálogo.
O confronto de segunda-feira ocorreu no atol Second Thomas, um recife submerso no arquipélago Spratly, reclamado por Pequim, Manila e outros países da região.
A guarda costeira chinesa acusou embarcações filipinas de se aproximarem "de forma perigosa" de um dos seus navios e alegou que militares filipinos agrediram agentes chineses com remos e varas.
Manila afirmou que as embarcações foram enviadas depois de a guarda costeira chinesa se aproximar "ilegalmente" do navio filipino BRP Sierra Madre e acusou agentes chineses de ferirem um militar filipino com um bastão de madeira.
As tensões entre os dois países agravaram-se nos últimos anos devido a sucessivos confrontos no Mar do Sul da China, num contexto de crescente aproximação militar das Filipinas aos Estados Unidos e ao Japão.
O incidente ocorreu na véspera da reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), realizada em Manila.