China apresenta missão espacial tripulada Shenzhou-23 com primeira astronauta de Hong Kong
A China apresentou hoje a missão tripulada Shenzhou-23, que vai enviar pela primeira vez uma astronauta de Hong Kong para o espaço.
A nave vai descolar às 23:08 locais (16:08 em Lisboa) de domingo, a partir do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, na Região Autónoma da Mongólia Interior, no noroeste chinês, informou hoje a Agência Espacial de Missões Tripuladas da China (China Manned Space Agency; CMSA) em conferência de imprensa.
A tripulação é composta por Zhu Yangzhu (comandante), Zhang Zhiyuan e Lai Ka-ying, que representam as três categorias atualmente ativas do corpo de astronautas chinês: engenheiro de voo, piloto de nave e especialista em carga útil.
Zhu participou anteriormente na missão Shenzhou-16, enquanto Zhang e Lai realizam agora o primeiro voo espacial. Antes de ser selecionada, Lai Ka-ying trabalhou na polícia de Hong Kong.
A astronauta da antiga colónia britânica ingressou no corpo espacial em agosto de 2024 e recebeu formação relacionada com experiências científicas espaciais, operações da estação Tiangong e manuseamento de sistemas como o braço robótico.
A missão é a sétima tripulada durante a fase de aplicação e desenvolvimento da estação espacial chinesa e o 40.º voo do programa espacial tripulado do país.
O principal objetivo passa por completar a substituição da tripulação da Shenzhou-21, composta pelo comandante Zhang Lu, Wu Fei - que aos 32 anos se tornou o astronauta mais jovem da China a realizar uma atividade extraveicular - e Zhang Hongliang.
Os três estão em órbita há 203 dias e espera-se que estabeleçam um novo recorde de permanência para uma tripulação chinesa no espaço.
Durante a estadia, os astronautas realizaram três atividades extraveiculares, incluindo a inspeção e fotografia da janela da cápsula de regresso da Shenzhou-20, a instalação de dispositivos de proteção contra detritos espaciais e tarefas de revisão de equipamentos externos.
A missão que agora parte vai realizar mais de cem projetos científicos e tecnológicos relacionados com as ciências da vida espacial, materiais, medicina espacial, física dos fluidos em microgravidade e novas tecnologias espaciais.
Entre elas contam-se investigações com embriões de peixe-zebra, embriões de ratos e estruturas embrionárias desenvolvidas a partir de células estaminais para estudar o desenvolvimento da vida em condições espaciais, além de experiências com novos materiais e sistemas energéticos.
Um dos membros da missão vai realizar também um teste de permanência anual em órbita, concebido para estudar a adaptação humana a voos espaciais de longa duração e reforçar os sistemas médicos e de proteção para futuras missões.
De acordo com a CMSA, a identidade do astronauta que vai levar a cabo esse teste será decidida posteriormente, em função da evolução da missão.
Após concluir a troca de tripulação em órbita, a tripulação da Shenzhou-21 regressa ao centro de aterragem de Dongfeng.