China lança futuros sobre dívida soberana para investidores estrangeiros via Hong Kong
Os contratos de futuros sobre obrigações soberanas chinesas começaram hoje a ser negociados via Hong Kong, numa nova tentativa das autoridades chinesas de abrir o mercado obrigacionista doméstico a mais investidores estrangeiros e promover a internacionalização do yuan.
O jornal de Hong Kong South China Morning Post noticiou que os novos contratos registaram um "volume de negociação ativo nos primeiros minutos da sessão" desta segunda-feira.
Os contratos com maturidade de cinco anos terão um valor nominal de 500.000 yuan (cerca de 64.250 euros) e poderão ser negociados através de uma centena de corretoras associadas à bolsa de Hong Kong.
Segundo o presidente da HKEX, operadora da bolsa da antiga colónia britânica, Carlson Tong, estes instrumentos "permitem aos investidores internacionais abrir, cobrir e encerrar posições inteiramente a partir do estrangeiro, utilizando as mesmas contas e procedimentos já usados para derivados negociados em Hong Kong".
De acordo com a agência Bloomberg, esta é a terceira tentativa de Pequim para lançar esta iniciativa, depois de um projeto-piloto realizado entre abril e dezembro de 2017, suspenso na sequência de pedidos de Hong Kong por um quadro regulatório e de cooperação mais claro com a China continental, e de um segundo plano, cancelado em 2023 antes de entrar em vigor.
Desta vez, a iniciativa surge após a decisão, tomada em abril, de permitir que investidores internacionais negoceiem contratos de futuros sobre obrigações soberanas no mercado continental chinês.
Após vários anos de reformas, mais de 2 biliões de yuan (257 mil milhões de euros) em obrigações soberanas negociadas na China continental encontravam-se nas mãos de investidores estrangeiros, em comparação com cerca de 450 mil milhões de yuan (57,8 mil milhões de euros) em meados de 2017.