Mundo
Chipre: projeto financiado pela UE quer devolver paz às famílias
Em Chipre, cipriotas turcos e cipriotas gregos juntam-se num esforço comum para ajudar famílias a encerrar um capítulo. Exumam e identificam os desaparecidos em conflito, em meados do século XX.
Sandra Sá Couto - RTP
Inicialmente um conflito político entre britânicos e cipriotas, a disputa de Chipre transformou-se num conflito étnico entre cipriotas turcos e cipriotas gregos. Religiões diferentes mas hábitos comuns separam e unem os habitantes da ilha mediterrânica.
A invasão obrigou pelo menos 150 mil cipriotas gregos a deslocarem-se para sul, e mais de 50 mil cipriotas turcos, que viviam cercados em pequenas comunidades, a fugir para norte. A separá-los está uma "Linha Verde" montada pela ONU.
A ilha de Chipre. A "Linha Verde" é o pontilhado que separa o território a meio. Fonte: Google Maps
Encerrar um capítulo
Até hoje, cipriotas de ambos os lados mantêm uma ferida aberta por não saberem o que aconteceu aos familiares.
Charalambos Hadjipanayi, cipriota-grego, alimentou a esperança de reencontrar o pai durante 34 anos. Recebeu a notícia de que os seus restos mortais tinham sido identificados, através do projeto Comité das Pessoas Desaparecidas.
Um grupo de cientistas dos dois lados da ilha junta-se no processo de exumar e identificar as vítimas do conflito, num esforço comum para ajudar as famílias a encerrar um capítulo.
Dar a notícia é o momento mais difícil para os técnicos. Gülden Küçük continua a impressionar-se com o impacto que tem nas famílias. "Choram como se a pessoa tivesse morrido há uma semana".
Encerrar um capítulo
Até hoje, cipriotas de ambos os lados mantêm uma ferida aberta por não saberem o que aconteceu aos familiares.
Charalambos Hadjipanayi, cipriota-grego, alimentou a esperança de reencontrar o pai durante 34 anos. Recebeu a notícia de que os seus restos mortais tinham sido identificados, através do projeto Comité das Pessoas Desaparecidas.
Um grupo de cientistas dos dois lados da ilha junta-se no processo de exumar e identificar as vítimas do conflito, num esforço comum para ajudar as famílias a encerrar um capítulo.
Dar a notícia é o momento mais difícil para os técnicos. Gülden Küçük continua a impressionar-se com o impacto que tem nas famílias. "Choram como se a pessoa tivesse morrido há uma semana".
Financiamento europeu
O último orçamento custou 3 milhões de euros e foi financiado pela União Europeia em 2 milhões e 600 mil euros. Desde 2006, a Comissão Europeia investiu no projeto mais de 25 mil milhões de euros. Fora do pacote europeu, Portugal cedeu 15 mil euros adicionais. A Alemanha, por exemplo, cedeu 600 mil euros.
Desde 1981 o Comité das Pessoas Desaparecidas contabilizou 2002 desaparecidos. Em 2018 foram identificados 35 cipriotas-gregos e 34 cipriotas-turcos. Ao todo, desde o início do projeto, foram identificadas 927 pessoas. Mais de mil continuam desaparecidas.
O último orçamento custou 3 milhões de euros e foi financiado pela União Europeia em 2 milhões e 600 mil euros. Desde 2006, a Comissão Europeia investiu no projeto mais de 25 mil milhões de euros. Fora do pacote europeu, Portugal cedeu 15 mil euros adicionais. A Alemanha, por exemplo, cedeu 600 mil euros.
Desde 1981 o Comité das Pessoas Desaparecidas contabilizou 2002 desaparecidos. Em 2018 foram identificados 35 cipriotas-gregos e 34 cipriotas-turcos. Ao todo, desde o início do projeto, foram identificadas 927 pessoas. Mais de mil continuam desaparecidas.
Esta reportagem faz parte do programa De Lisboa a Helsínquia, que pode rever aqui.