Chipre: projeto financiado pela UE quer devolver paz às famílias

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Chipre: projeto financiado pela UE quer devolver paz às famílias

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Em Chipre, cipriotas turcos e cipriotas gregos juntam-se num esforço comum para ajudar famílias a encerrar um capítulo. Exumam e identificam os desaparecidos em conflito, em meados do século XX.

Chipre vive, desde meados do século XX, uma situação politicamente tensa. A invasão e ocupação da Turquia pelo norte da ilha mantém-se até hoje. Foi unilateralmente declarada como República Turca do Norte, mas a União Europeia não o reconhece e o Conselho de Segurança da ONU considerou inválida a invasão.

Inicialmente um conflito político entre britânicos e cipriotas, a disputa de Chipre transformou-se num conflito étnico entre cipriotas turcos e cipriotas gregos. Religiões diferentes mas hábitos comuns separam e unem os habitantes da ilha mediterrânica.

A invasão obrigou pelo menos 150 mil cipriotas gregos a deslocarem-se para sul, e mais de 50 mil cipriotas turcos, que viviam cercados em pequenas comunidades, a fugir para norte. A separá-los está uma "Linha Verde" montada pela ONU. 


A ilha de Chipre. A "Linha Verde" é o pontilhado que separa o território a meio. Fonte: Google Maps

Encerrar um capítulo


Até hoje, cipriotas de ambos os lados mantêm uma ferida aberta por não saberem o que aconteceu aos familiares.

Charalambos Hadjipanayi, cipriota-grego, alimentou a esperança de reencontrar o pai durante 34 anos. Recebeu a notícia de que os seus restos mortais tinham sido identificados, através do projeto Comité das Pessoas Desaparecidas.

Um grupo de cientistas dos dois lados da ilha junta-se no processo de exumar e identificar as vítimas do conflito, num esforço comum para ajudar as famílias a encerrar um capítulo.

Dar a notícia é o momento mais difícil para os técnicos. Gülden Küçük continua a impressionar-se com o impacto que tem nas famílias. "Choram como se a pessoa tivesse morrido há uma semana". 

Financiamento europeu

O último orçamento custou 3 milhões de euros e foi financiado pela União Europeia em 2 milhões e 600 mil euros. Desde 2006, a Comissão Europeia investiu no projeto mais de 25 mil milhões de euros. Fora do pacote europeu, Portugal cedeu 15 mil euros adicionais. A Alemanha, por exemplo, cedeu 600 mil euros.

Desde 1981 o Comité das Pessoas Desaparecidas contabilizou 2002 desaparecidos. Em 2018 foram identificados 35 cipriotas-gregos e 34 cipriotas-turcos. Ao todo, desde o início do projeto, foram identificadas 927 pessoas. Mais de mil continuam desaparecidas. 

Esta reportagem faz parte do programa De Lisboa a Helsínquia, que pode rever aqui.

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