Cidadão chinês acusado de ser peça-chave no tráfico de fentanil no México

Cidadão chinês acusado de ser peça-chave no tráfico de fentanil no México

O chinês Zhang Zhidong, conhecido como "Irmão Wang", é apontado pelas autoridades norte-americanas como figura central na cadeia de fornecimento de precursores químicos para a produção de fentanil no México, segundo documentos judiciais e fontes policiais.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Rede Social X, @OHarfuch via REUTERS

Zhang, de 39 anos, foi detido em 2024 no México, de onde conseguiu fugir antes de ser recapturado e extraditado para os Estados Unidos em 2025.

Segundo a emissora BBC, em tribunal, o então procurador-adjunto Todd Blanche classificou-o como "um dos traficantes mais perigosos do mundo", acusando-o de gerir uma rede global de tráfico de cocaína, fentanil e metanfetaminas e de lavar milhões de dólares em lucros do narcotráfico.

O fentanil é um opioide sintético de alta potência, utilizado legalmente como anestésico e analgésico, mas que se tornou o centro de uma grave crise de saúde pública e segurança global devido ao uso ilícito e tráfico internacional.

O arguido declarou-se inocente e aguarda julgamento.

De acordo com autoridades mexicanas, Zhang terá exportado mais de 1.000 quilos de cocaína, 1.800 quilos de fentanil e 600 quilos de metanfetaminas, movimentando cerca de 150 milhões de dólares (131,6 milhões euros) anuais.

A Procuradoria mexicana divulgou cartazes de "procura-se" com vários dos seus apelidos, incluindo "Irmão Wang".

Investigadores independentes sublinharam que Zhang desempenhava o papel de intermediário entre fabricantes químicos chineses e cartéis mexicanos, função considerada "crucial" na cadeia de abastecimento.

A Administração de Repressão às Drogas norte-americana (DEA, na sigla em inglês) registou uma queda na pureza do fentanil após a sua captura, associada a dificuldades na obtenção de precursores.

Formado em Espanhol pela Universidade de Pequim em 2010, Zhang mudou-se para o México em 2011 para trabalhar numa empresa mineira chinesa.

Após o colapso da empresa, permaneceu no país e, segundo colegas, começou a oferecer serviços de câmbio de dólares, suspeitando-se de branqueamento de capitais.

Fontes policiais e membros do cartel afirmam que, a partir de 2016, já operava uma vasta rede de tráfico e lavagem, tendo estabelecido relações próximas com a liderança do cartel.

Um relatório do Departamento de Estado dos EUA de 2025 apontou a China como um dos maiores produtores e exportadores de químicos usados em drogas sintéticas, referindo que o setor tem 160 mil empresas e que a fiscalização é insuficiente.

A embaixada da China em Washington rejeitou acusações de complacência, afirmando que o país tem uma das políticas mais rigorosas de combate ao narcotráfico e que todas as substâncias relacionadas com o fentanil foram colocadas sob controlo em 2019.

Apesar da detenção, membros do cartel de Sinaloa admitem que Zhang deixou contactos suficientes para manter o negócio.

"Se ele desapareceu, outro ocupará o lugar. O negócio não vai parar", disse um dos membros da organização à BBC.

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