Cobertores brancos ajudam a travar o degelo do glaciar do Ródano na Suíça

Cobertores brancos ajudam a travar o degelo do glaciar do Ródano na Suíça

Enormes mantas de geotêxtil branco voltaram a ser colocadas sobre partes do Glaciar do Ródano (Rhone Glacier), nos Alpes suíços, numa tentativa de abrandar o ritmo de degelo provocado pelo aumento das temperaturas. Essas grandes mantas de tecido sintético são destinadas a refletir a radiação solar e a reduzir a perda de gelo.

Carla Quirino - RTP / Adicionar como fonte informativa
Pierre Albouy - Reuters

O sistema tem sido utilizado há vários anos pelas autoridades locais e operadores turísticos para preservar áreas específicas do glaciar durante os meses mais quentes e esta semana as coberturas em geotêxtil voltaram a ser colocadas para proteger a famosa gruta de gelo escavada no glaciar - uma das principais atrações turísticas da região de Obergoms.
 Grutas de gelo coberta com cobertores de lã sintética para retardar o degelo, em Obergoms | Pierre Albouy - Reuters

A iniciativa tem o objetivo de refletir a radiação solar e é implementada numa altura em que os glaciares suíços enfrentam uma das épocas de degelo mais precoces de que há registo. 

Segundo a Reuters, o chamado “Glacier Loss Day” – o momento em que toda a neve acumulada durante o inverno desaparece e os glaciares começam a perder o gelo mais antigo – foi atingido este ano a 29 de junho no Glaciar do Ródano, a segunda data mais precoce registada.

“Esta é realmente uma situação preocupante”, afirmou Matthias Huss, diretor da Glacier Monitoring Switzerland (GLAMOS), citado pela Reuters. O especialista alertou que ainda restam vários meses de verão, período durante o qual o glaciar continuará a perder gelo acumulado ao longo de décadas ou mesmo séculos.

De acordo com Huss, duas ondas de calor consecutivas, combinadas com uma fraca acumulação de neve durante o inverno, aceleraram significativamente o processo de fusão. Num dos pontos de monitorização do Glaciar do Ródano, foram registadas perdas de cerca de 1,5 metros de espessura de gelo em apenas duas semanas de calor extremo.
 
Degelo do Glaciar do Ródano devido às mudanças climáticas, em Obergoms | Pierre Albouy - Reuters

Embora os cobertores reflitam parte da energia solar e possam reduzir temporariamente o degelo local, os cientistas sublinham que estas soluções têm um alcance limitado e não conseguem travar a tendência geral de recuo dos glaciares alpinos. A Suíça, que alberga cerca de metade do volume glaciar dos Alpes, tem registado perdas históricas de gelo nas últimas décadas devido às alterações climáticas.

Para muitos visitantes, o desaparecimento visível do glaciar tornou-se um símbolo da crise climática. Harry Block, turista alemão que visita o local há cerca de 50 anos, confessou à agência de notícias Reuters ter ficado chocado ao observar as mudanças na paisagem. “Apetece-me chorar. Aqui vê-se bem a alteração do clima. Isto é a mudança climática”, afirmou.
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