Última Hora
BCE sobe juros em 25 pontos base pela segunda vez este ano

Codescobridor da doença estima que atual epidemia pode ser controlada brevemente

Codescobridor da doença estima que atual epidemia pode ser controlada brevemente

O médico congolês Jean-Jacques Muyembe, codescobridor do Ébola, considera que a atual epidemia na República Democrática do Congo (RDCongo) poderá ser controlada em dois a três meses e que "o pânico mundial" não tem razão de ser.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Cynthia Goldsmith/CDC, Reuters

O médico, que é também o primeiro cientista conhecido a ter contraído o vírus e sobreviveu a este, recorda que este é o 17.º episódio de Ébola no seu país e que isso o fez desenvolver "experiência importante sobre como o enfrentar".

"Temos experiência neste âmbito. A epidemia atual será resolvida com a ajuda dos nossos parceiros e do Governo, e é possível que em dois ou três meses fique totalmente contida", disse numa entrevista à televisão pública suíça RTS o dirigente do Instituto Nacional de Investigação Biomédica em Kinshasa, capital da RDCongo, nação vizinha de Angola.

Muyembe considera que a reação internacional à atual epidemia reflete o temor deixado pela pandemia da covid-19 e o facto de ter ocorrido quando mal se tinha saído da crise em torno do surto de hantavírus num navio de cruzeiro.

Em 1976, uma doença misteriosa declarou-se na localidade de Yambuku (RDCongo, então Zaire) e Muyembe foi o primeiro perito em virologia a deslocar-se ao local, a examinar os doentes e a recolher amostras de sangue e de fígado "em condições rudimentares, sem luvas nem vestuário de proteção", recordou o próprio quando a Universidade da Sorbonne (Paris) lhe concedeu o grau de Doutor `Honoris Causa` em 2025.

"A minha sobrevivência é um milagre, tal como a dos técnicos que realizaram as análises nas condições básicas do nosso laboratório na universidade", manifestou, na altura.

Esta vaga de Ébola é da estirpe Bundibugyo e ainda não tem tratamento. 

Muyembe sustenta que, apesar desta situação delicada, se pode conter a epidemia, da qual há mais de 900 casos suspeitos e 200 mortos.

Para o perito, a inexistência de uma vacina ou tratamento específico para a estirpe Bundibugyo não deve ser vista como uma fatalidade que impedirá controlar a sua propagação.

O médico recorda que, no passado, foi possível controlar vagas, nomeadamente a causada pela estirpe Zaire, antes de se desenvolver uma vacina.

"Antes de 2018, foram as medidas de saúde pública, como o isolamento dos doentes, os internamentos em centros de segurança e a proteção do pessoal de saúde nos hospitais, que permitiram quebrar a cadeia de transmissão e controlar as epidemias", disse.

Por outro lado, frisou que a estirpe atual é menos mortal que a do Zaire, apelando a que se informe "adequadamente a população, comunicando os riscos e envolvendo as comunidades para uma participação global na resposta sanitária".

"Também devem ser estabelecidos sistemas de deteção rápida e centros de tratamento", defendeu.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reviu o risco sanitário para a RDCongo, que agora considera "muito alto", bem como para um grupo de dez países, nomeadamente Angola, onde agora o risco é "alto". Para o resto do mundo, o risco continua a ser baixo.

 

Tópicos
PUB