Coligação de líder da junta militar vence eleições na Guiné-Conacri
A coligação do Presidente da Guiné-Conacri, general Mamadi Doumbouya, venceu as eleições de 31 de maio, realizadas quase sem participação da oposição, que pretendiam culminar a transição democrática após o golpe de Estado de 2021.
Segundo informaram no final de sexta-feira os meios de comunicação locais, a coligação Geração pela Modernidade e o Desenvolvimento (GMD) obteve a grande maioria dos 147 lugares da Assembleia Nacional e dos mandatos municipais.
Os resultados provisórios, publicados pela Direção-Geral de Eleições, ainda têm de ser confirmados pelo Supremo Tribunal, de acordo com a agência de notícias espanhola EFE.
Cerca de 6,9 milhões de pessoas foram chamadas às urnas para eleger os deputados, numa jornada que decorreu num ambiente pacífico.
As eleições realizaram-se sob a supervisão de uma missão de observadores da União Africana (UA), mas a oposição denunciou irregularidades.
A votação ocorreu depois de terem sido ilegalizados 40 partidos políticos da oposição em março, uma medida que surgiu no meio de uma crescente repressão contra os detratores da junta militar.
A junta consolidou-se no poder após vencer as eleições presidenciais de 28 de dezembro de 2025.
O general Doumbouya, líder da junta militar que assumiu o poder na Guiné-Conacri no golpe de 2021, tomou posse em 17 de janeiro como novo Presidente do país, após arrecadar 86,72% dos votos.
Desde o golpe de Estado, têm sido relatados raptos e detenções sem julgamento de dirigentes da oposição, ativistas e jornalistas críticos do poder, com mais de 15 desaparecimentos documentados pela oposição do país africano.
A Guiné-Conacri possui uma das maiores reservas de minério de ferro do mundo e é o principal exportador de bauxite, minério fundamental para a produção de alumínio, embora grande parte da população viva na pobreza.