Colômbia denuncia bombardeamento no seu território pelo Equador que Quito nega
A Colômbia acusa o Equador de ter bombardeado o seu território perto da fronteira comum aos dois países, uma afirmação rejeitada por Quito, no contexto das crescentes tensões entre os dois vizinhos sul-americanos.
O presidente colombiano de esquerda, Gustavo Petro, afirmou hoje ter provas de que uma "bomba" foi lançada de um avião equatoriano sobre território colombiano.
Hoje, Petro publicou na rede social X uma imagem de um engenho explosivo que não tinha sido detonado, acompanhada de uma mensagem apelando a que se "investigue a fundo esta bomba caída de um avião na fronteira colombiana com o Equador", a "cem metros da casa de uma família de camponeses pobres".
O presidente do Equador, numa ofensiva contra o narcotráfico, rejeitou estas acusações, qualificando as declarações do seu homólogo colombiano de "falsas".
"Agimos no nosso território, não no vosso", afirmou hoje no X Daniel Noboa, presidente de direita e aliado de Donald Trump na região.
Quito está "a bombardear os locais que serviam de esconderijos para grupos criminosos, em grande parte colombianos, aos quais o seu governo permitiu infiltrar-se no nosso país por negligência na vigilância da fronteira, acrescentou, dirigindo-se a Petro.
A Colômbia e o Equador partilham uma fronteira de cerca de 600 quilómetros, ao longo da qual circulam guerrilhas colombianas e organizações criminosas dos dois países envolvidas no tráfico de drogas e armas, no tráfico de seres humanos, assim como na exploração mineira ilegal.
Daniel Noboa critica a Colômbia por não fazer o suficiente contra os grupos armados na fronteira que atravessam para o Equador, onde a violência ligada ao narcotráfico atinge níveis históricos.
Com base nisso, o presidente equatoriano iniciou em fevereiro uma dura batalha comercial com a Colômbia, que afeta as importações e a cooperação energética entre os dois países.
Segundo Julian Imbacuan, um camponês de Ipiales, no sul da Colômbia, contactado por telefone, uma bomba caiu "muito perto da casa, a cerca de 50-60 metros". "Estávamos todos aterrorizados, assustados e preocupados que esses artefactos explodissem de um momento para o outro e pudessem tirar-nos a vida", afirmou à agência de notícias francesa AFP.
O homem data estes acontecimentos de 03 de março. "Três aviões, mais ou menos, chegaram do lado equatoriano, soltaram esses artefactos e alguns chegaram a explodir, mas do lado equatoriano", assegurou.
Imagens facultadas à AFP mostram camponeses à volta de uma bomba de 250 quilos e, muito perto, a cratera formada pela sua queda.
Especialistas estimam tratar-se de uma "bomba de queda livre" do tipo MK, geralmente fabricada nos Estados Unidos e no Brasil.
O ministro colombiano da Defesa pediu aos habitantes para se manterem afastados da zona.
Em 2008, o Equador e a Colômbia estiveram prestes a entrar em conflito após um bombardeamento ordenado pelo presidente colombiano da época, Álvaro Uribe, em território equatoriano, e que custou a vida a um dos comandantes da guerrilha das Farc.
As acusações da Colômbia surgem enquanto o Equador lançou no domingo uma ofensiva enérgica com o apoio dos Estados Unidos, prevista para duas semanas, e que inclui toques de recolher em várias províncias costeiras do país, com o objetivo de tentar obrigar o crime organizado a ceder.
O Equador integrou o "Escudo das Américas", uma aliança de 17 países do continente constituída pelo presidente americano, Donald Trump, para combater o tráfico de drogas na região.
A Colômbia e vários outros países da América Latina, liderados pela esquerda, não participam desta aliança.
No início de março, o Equador anunciou ter bombardeado um campo de treino de uma guerrilha suspeita de tráfico de droga operando na fronteira colombiana.
Cerca de 70% da cocaína produzida na Colômbia e no Peru, os maiores produtores do mundo, transita pelo território equatoriano para ser exportada através dos seus portos no Pacífico.