Colômbia e Venezuela pedem admissão como membros de pleno direito do Mercosul
O Presidente colombiano, Gustavo Petro, declarou no sábado que tanto a Colômbia como a Venezuela irão apresentar pedidos oficiais de adesão ao bloco Mercosul como membros de pleno direito.
"Vamos solicitar o levantamento da moratória para que a Venezuela possa aderir ao Mercosul como membro de pleno direito e nós, como Colômbia, apresentaremos o nosso pedido de adesão plena ao Mercosul", anunciou Petro, no sábado.
O Mercosul aceitou a Venezuela como membro de pleno direito em 2012, mas em 2017 o bloco invocou a "cláusula democrática para suspender Caracas devido à repressão de protestos populares contra o Governo de Nicolás Maduro.
O Mercosul, bloco do qual fazem parte Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e, em processo de adesão, a Bolívia, assinou em 17 de janeiro um acordo comercial com a União Europeia, que cria uma das maiores áreas de comércio livre do planeta.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou em 27 de fevereiro que o pacto entrou provisoriamente em vigor, depois de ter sido ratificado pelos Parlamentos da Argentina e do Uruguai.
O Presidente colombiano disse nas redes sociais que delegações da Colômbia e da Venezuela realizaram na sexta-feira uma "reunião bilateral extremamente bem-sucedida" em Caracas.
Gustavo Petro elogiou a aproximação entre as duas nações e disse que irão cooperar mais estreitamente em assuntos militares para "destruir o narcotráfico na fronteira comum", bem como em questões energéticas.
Temas que serão abordados numa próxima "reunião específica sobre a zona binacional", agendada para 23 e 24 de abril em Maracaibo, no noroeste da Venezuela, acrescentou o líder.
"A ameaça não são as próprias nações, mas o crime organizado transnacional que ataca impiedosamente a vida, a paz e o bem-estar das suas comunidades fronteiriças", disse o ministro da Defesa da Colômbia.
No encontro, explicou Pedro Sánchez, os dois países concordaram em trocar informações sobre ameaças e em coordenar "operações espelhadas" ao longo da fronteira, para "combater o narcotráfico, a mineração ilegal e as suas redes criminosas".
Na quinta-feira, os governos da Venezuela e da Colômbia anunciaram o cancelamento, devido a "motivos de força maior", de uma reunião entre os chefes de Estado, prevista para sexta-feira, na fronteira entre os dois países.
Este seria o primeiro encontro oficial da líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, com um líder latino-americano desde que assumiu o cargo em janeiro, após a operação militar dos Estados Unidos que capturou o então presidente Nicolás Maduro.
Uma fonte da presidência da Colômbia disse à agência de notícias France-Presse que o cancelamento estava ligado a ameaças à segurança, sem especificar em que lado da fronteira estariam as ameaças.
Numerosos grupos armados envolvidos no tráfico de droga operam ao longo da fronteira entre os dois países, incluindo o mais antigo grupo guerrilheiro latino-americano ainda ativo, o Exército de Libertação Nacional.