Colômbia vira à direita com vitória do candidato apoiado por Trump

Colômbia vira à direita com vitória do candidato apoiado por Trump

Por uma margem estreita, o advogado anti-sistema Abelardo de la Espriella, apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, ganhou as eleições presidenciais deste domingo na Colômbia.

Joana Bénard da Costa - RTP /
Foto: Jair Coll - Reuters

Com esta vitória, a Colômbia torna-se o mais recente país da América Latina a virar à direita, seguindo os passos da Argentina, do Chile e do Equador, cujos líderes, alinhados com Washington, não tardaram a felicitá-lo.

No seu discurso, Abelardo de la Espriella prometeu uma "nova era" perante milhares de apoiantes reunidos em Barranquilla (norte da Colômbia).

Admirador dos presidentes populistas de El Salvador e da Argentina, la Espriella prometeu construir mega-prisões onde os detidos receberiam "pão e água", bombardear campos de narcotráfico com o apoio dos Estados Unidos e de Israel, e reduzir a dimensão do aparelho de Estado em 40%.

Defende o confronto direto com os grupos armados ligados ao narcotráfico no país que é o maior produtor mundial de cocaína. Promete ainda perseguir de forma implacável "os bandidos, dentro dos limites da Constituição e das leis da República" e governar para "todos os colombianos".

Sem experiência política, este milionário empresário de 47 anos derrotou o senador de esquerda Iván Cepeda, filósofo e defensor dos Direitos Humanos, com 49,7% dos votos, contra os 48,7% de Cepeda, que recusou a reconhecer a derrota antes da contagem final, prevista para dentro de alguns dias.

"O Tigre", como é conhecido entre os seus apoiantes, prometeu segurança depois de uma campanha marcada por atentados de guerrilha e pelo assassinato de um dos candidatos.
Comemorações e confrontos nas ruas
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, destacou a futura colaboração em questões de segurança e o objetivo de "acabar com a imigração ilegal para os Estados Unidos", enquanto Donald Trump publicou uma fotografia do presidente eleito colombiano na rede Truth Social, acompanhada da mensagem: "Ele ganhou, e por uma grande margem!".

Os apoiantes saíram às ruas de várias cidades colombianas para celebrar, vestindo a camisola amarela da seleção de futebol que tinha sido adotada durante a campanha.

Em Cali (sudoeste), a terceira maior cidade do país, manifestantes descontentes queimaram bandeiras norte-americanas e entraram em confronto com a polícia de choque, relataram jornalistas da AFP. Também se registaram protestos na capital, Bogotá.

A Colômbia é um dos países mais desiguais do mundo e está mergulhada em conflitos armados internos há mais de seis décadas. Teme-se que esta eleição lance o país numa espiral de violência. Abelardo de la Espriella deverá tomar posse a 7 de agosto.

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