Começou nos EUA primeiro julgamento por crimes de guerra desde a II Guerra Mundial.

Começou nos EUA primeiro julgamento por crimes de guerra desde a II Guerra Mundial.

Washington, 22 Jul (Lusa)- Salim Hamdan, ex-motorista de Usama bin Laden no Afeganistão, declarou-se "não culpado" das acusações de terrorismo pelas quais começou a ser julgado segunda-feira num tribunal militar especial em Guantánamo.

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O iemenita é o primeiro prisioneiro a enfrentar um tribunal de crimes de guerra dos Estados Unidos desde a II Guerra Mundial.

Hamdan é acusado de conspiração e de fornecer material de apoio aos terroristas, acusações que lhe podem valer a prisão perpétua.

Ao julgamento, que deverá durar três ou quatro semanas, foram chamados a declarar mais de vinte testemunhas.

O tribunal conta com cinco membros eleitos entre uma selecção de 13 oficiais norte-americanos e o veredicto será decidido por uma maioria de dois terços.

Hamdan, que recebia um salário de 200 dólares como motorista de Bin Laden, foi capturado pelo exército afegão em Novembro de 2001 e entregue logo a seguir ao exército norte-americano.

Em Maio de 2002, foi levado para Guantanamo e, por pouco tempo, converteu-se num dos primeiros prisioneiros a enfrentar acusações de crimes de guerra.

Os advogados defensores alegam que ele era apenas um simples empregado da frota de automóveis do líder da Al-Qaida bin Laden.

Antes de Hamdan, o australiano David Hicks estava para comparecer nos polémicos tribunais militares estabelecidos pelo governo de George W. Bush depois dos atentados do 11 de Setembro de 2001 mas não chegou a ser julgado.

Hicks declarou-se culpado de apoiar o terrorismo em troca de uma pena de apenas nove meses de prisão e nem foi a tribunal.

Os advogados de Hamdan tinham pedido a suspensão do julgamento com base numa decisão do Supremo Tribunal que admitiu em Junho que os alegados terroristas considerados "combatentes inimigos ilegais" pelo Governo têm o direito de questionar juntos dos tribunais norte-americanos a legalidade da sua detenção.

Todavia, o juiz federal que estudava a petição não encontrou motivos suficientes para parar o processo e a semana passada deu luz verde ao início do julgamento militar.

TM.

Lusa/Fim


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