Comissão Justiça e Paz apela à Rússia que cesse "agressão militar"
A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) apelou hoje ao Governo russo que "cesse a agressão militar que iniciou e que atingirá vidas inocentes e provocará outros danos incalculáveis".
Numa nota intitulada "Nada se perde com a paz, tudo pode ser perdido com a guerra", a CNPJ, órgão dependente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), exorta ainda a que "todos os atores políticos não deixem de tentar vias diplomáticas que permitam uma solução pacífica do conflito no respeito do direito internacional".
"Manifestamos a nossa solidariedade para com o povo ucraniano - a começar pelos imigrantes que muito têm contribuído para o progresso do nosso país - e apelamos aos governos e sociedades que se empenhem na ajuda humanitária às vítimas do conflito, nela incluindo o acolhimento de refugiados", refere a nota da Comissão Justiça e Paz, declarando também a sua adesão "ao apelo do Papa Francisco à oração e ao jejum, pela paz e pela Ucrânia" no dia 02 de março, Quarta-Feira de Cinzas.
O órgão presidido por Pedro Vaz Pato afirma, também, que "o que até há algum tempo parecia impensável aconteceu".
"Assistimos a uma guerra de agressão na Europa e muitos descrevem a atual situação como a pior crise de segurança na Europa desde o final da Segunda Guerra Mundial. Parece que há quem não tenha ainda aprendido as lições da História", acrescenta a nota, que cita, depois, as palavras do Papa Pio XII, em 1939, quando estava iminente o início da Segunda Guerra Mundial.
"É com a força da razão, não com a das armas, que a Justiça progride. E os impérios que não são fundados sobre a Justiça não são abençoados por Deus. A política emancipada da moral atraiçoa aqueles mesmos que a desejam. O perigo é iminente, mas ainda há tempo. Nada se perde com a paz. Tudo pode ser perdido com a guerra", disse o Papa de então.
Para a CNJP, "esta guerra vitima em especial o povo ucraniano, mas com ela todos perderão, até os que não estão diretamente envolvidos no conflito".
A Rússia lançou na quinta-feira de madrugada uma ofensiva militar na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades, que já provocaram pelo menos mais de 120 mortos, incluindo civis, e centenas de feridos, em território ucraniano, segundo Kiev. A ONU deu conta de 100.000 deslocados no primeiro dia de combates.
O Presidente russo, Vladimir Putin, disse que a "operação militar especial" na Ucrânia visa "desmilitarizar e desnazificar" o seu vizinho e que era a única maneira de o país se defender, precisando o Kremlin que a ofensiva durará o tempo necessário, dependendo de seus "resultados" e "relevância".
O ataque foi condenado pela generalidade da comunidade internacional e motivou reuniões de emergência de vários governos, incluindo o português, e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), União Europeia (UE) e Conselho de Segurança da ONU, tendo sido aprovadas sanções em massa contra a Rússia.