Comunidade deve afirmar-se na "política internacional"

Comunidade deve afirmar-se na "política internacional"

Começou esta manhã a VIII Cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que se realiza em Luanda. Os primeiros discursos pertenceram aos presidentes de Portugal e Angola, que deram destaque à língua e solidariedade. O primeiro-ministro português defendeu a ambição de afirmação da CPLP na política internacional.

RTP /

"A CPLP pode progressivamente afirmar-se na agenda política internacional", disse José Sócrates no seu discurso inicial. "É a nossa ambição, não pode deixar de ser outra".

O primeiro-ministro defendeu uma comunidade "voltada para o exterior capaz de se pronunciar sem complexos sobre todos os domínios da agenda política internacional".

"O reforço da CPLP com instrumento de reforço das nossas políticas externas permitiu e permitirá, pela diversidade das nossas presenças, alcançar mais poder de intervenção e mais influência ao nível regional e ao nível global", continuou Sócrates. "Devemos isso à nossa língua, à nossa história e à nossa cultura comum".

Língua portuguesa destacada por Cavaco Silva

A língua portuguesa como ferramenta de afirmação global mereceu destaque nas primeiras palavras do Presidente da República de Portugal na Cimeira da CPLP.
"O português é uma das línguas em maior expansão em países terceiros, onde é procurado como segunda língua ou língua estrangeira", disse Cavaco Silva.

"Esta situação resulta de uma evolução que vai ao encontro dos interesses de cada um de nós e da nossa comunidade porque favorece a afirmação da nossa voz na cena internacional e permite tirar partido das oportunidades de cariz económico que uma língua universal comporta", acrescentou o chefe de Estado.

Cavaco Silva falou ainda sobre a necessidade de envolver a sociedade civil na construção da Comunidade. "É necessário ir mais longe na resposta às expectativas dos nossos cidadãos", disse. "A nossa comunidade tem de ser cada vez mais um projecto de cidadania, que integre e mobilize o contributo dos nossos cidadãos".

Solidariedade no discurso do presidente angolano

José Eduardo dos Santos defendeu que a CPLP pode "transformar-se numa força poderosa e dinâmica" que contribua para "a paz e segurança" e acelere o "crescimento e o desenvolvimento" dos seus membros.

"Como nos encontramos em níveis diferentes, económicos e social, é justo que valorizemos a solidariedade como eixo central da nossa acção pois só ela pode conferir à nossa cooperação o seu valor real", disse o presidente angolano.
"Por outro lado, reconhecemos que é no respeito da nossa diversidade que encontramos a base da nossa unidade, a razão para nos apoiarmos mutuamente e caminharmos juntos na construção de um futuro melhor".

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