Conferência de paz para acabar com o terrorismo da ETA
O encontro internacional promovido pelo movimento Lokarri que decorreu ontem em San Sebástian, no País Basco, terminou com um pedido à ETA: que seja declarado o fim da luta armada. As resoluções da conferência de paz não reuniram o consenso daqueles participantes que esperavam ver exigida a extinção do grupo terrorista.
O antigo secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e o ex-primeiro-ministro irlandês Bertie Ahern, encabeçaram o lote de seis mediadores internacionais que elaboraram a declaração da conferência de paz de San Sebastián.
Da reunião organizada pelo movimento social pacifista basco Lokarri, com o apoio do Grupo Internacional de Contato, resultou o pedido à organização separatista basca para que seja declarado o "fim definitivo da atividade armada". O ponto mais controverso do documento incita os governos de Espanha e França a dialogar com os etarras.
"Pedimos que sejam adotados passos profundos para avançar com a reconciliação, reconhecer, compensar e assistir todas as vítimas, reconhecer a dor causada e ajudar a sarar as feridas pessoais e sociais", lê-se no terceiro ponto da declaração final da conferência.
Cessar-fogo definitivo anunciado esta semana
Um membro do Partido Nacionalista Basco revelou à AFP que a organização terrorista já terá tomado uma decisão sobre um eventual cessar-fogo definitivo, que será conhecida ainda durante esta semana. "Esta conferência é o cenário que abre caminho à decisão final", confidenciou sob anonimato, acrescentando que os etarras não irão declarar, porém, a extinção do grupo.
Já o Ministro da Presidência espanhol, Ramón Jáuregui, desvalorizou as conclusões da conferência de San Sebastián, afirmando que a declaração final do encontro "não passa de mais um papel". Jáuregui retorquiu que o Governo não vai alterar a sua política nem tomará qualquer medida relativamente à situação dos prisioneiros da ETA. "A única versão possível é que uns mataram outros sem motivo", afirmou Jáuregui. O ministro salientou que o atual cessar-fogo da ETA é o resultado "de uma grande vitória democrática" de Espanha e do País Basco que espelha o "fracasso" da organização separatista.
Também o Partido Popular espanhol, pela voz do vice-presidente Javier Arenas, esboçou uma reação prudente: "Esperamos que os terroristas deixem de matar, entreguem as armas e peçam perdão às suas vítimas".
Famílias das vítimas impõem condições
A declaração final da reunião, que foi lida por Bertie Ahern, foi considerada como tendo ficado algo aquém das expectativas, por não ter promovido a exigência de dissolução definitiva da ETA. O conteúdo do relatório, que inclui ainda uma proposta para a organização de um comité de acompanhamento das negociações, não reuniu o consenso dos cerca de cinquenta participantes, na sua maioria membros da comunidade política basca.
À entrada do Palácio de Aiete, onde decorreu o encontro, uma dezena de familiares das vítimas esteve reunida para entregar à organização uma lista de condições para negociar a paz. As famílias pedem o reconhecimento da crueldade por parte dos etarras, descartando a "impunidade" dos terroristas, e exigem "o esclarecimento de todos os atentados que ainda estão por resolver".
A ETA foi fundada em 1959 para lutar pela independência do País Basco, e desde então já fez 857 vítimas mortais, através de atentados à bomba. O grupo separatista é reconhecido como uma organização terrorista pela União Europeia e os Estados Unidos, e conta atualmente com cerca de 200 membros e 400 simpatizantes. Desde 10 de janeiro deste ano que proclama a necessidade de um cessar-fogo "permanente, geral e verificável".