Conflito com separatistas pró-russos no Donbass causou 64 mortos em 2021
O Exército da Ucrânia revelou hoje que 64 militares morreram este ano em confrontos com os separatistas pró-russos no Donbass, região em conflito desde 2014.
"Só este ano, 64 soldados morreram e 260 sofreram ferimentos com várias gravidades", revelou, em comunicado, o chefe do Estado-Maior ucraniano, Valeri Zaluzhni.
O general denunciou também que em dezembro as milícias dispararam por 88 vezes contra posições com militares ucranianos e zonas povoadas.
Desde o início do conflito, em abril de 2014, mais de 4.500 militares ucranianos morreram e quase 15 mil ficaram feridos.
O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, assegurou recentemente que o Exército é capaz de abortar qualquer "plano de invasão do inimigo", numa referência à concentração de militares russos na fronteira entre os dois países e aos supostos planos de invasão russos.
O Parlamento ucraniano aprovou hoje um projeto de lei que autoriza a entrada de tropas estrangeiras no país para nove exercícios militares em 2022.
A Ucrânia intensificou a cooperação militar com a NATO após acusar a Rússia de concentrar entre 90.000 e 100.000 soldados na fronteira para atacar o seu território durante o inverno.
Kiev e os países ocidentais temem um ataque de Moscovo, em grande escala, à Ucrânia no início de 2022.
De acordo com os serviços de informações dos Estados Unidos, apoiados em imagens de satélite, a Rússia planeia aumentar a sua presença militar na fronteira com a Ucrânia para 175 mil militares.
Moscovo, por seu lado, acusou Kiev de estacionar 125 mil militares no Donbass, ou seja, metade das Forças Armadas ucranianas.
E exigiu ainda garantias se segurança por parte da NATO para evitar que a aliança atlântica aceite a entrada da Ucrânia permitindo a aproximação da sua fronteira de armas ofensivas.
Desde 2014 que o leste da Ucrânia é palco de uma guerra entre Kiev e os separatistas pró-russos, que deflagrou pouco após a anexação da Crimeia por Moscovo e provocou cerca de 13.000 mortos.
Apesar dos desmentidos, Moscovo é acusado de patrocinar os separatistas russófonos do leste e fornecer homens e armamento.
Após sucessivas derrotas em 2014, que implicaram a declaração de duas "repúblicas populares" em Donetsk e Lugansk que escapam ao controlo de Kiev, o exército ucraniano considera-se agora mais bem preparado, devido à experiência de combate e equipamentos mais sofisticados provenientes do ocidente.