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Conflito na Ucrânia sem fim à vista após cimeira de Minsk
As negociações entre o Presidente ucraniano e o seu homólogo russo terminaram na madrugada desta quarta-feira em Minsk sem sinais que façam antever um fim rápido para a guerra no leste da Ucrânia. No final da cimeira, as declarações de boas intenções não chegaram para disfarçar o fracasso de mais um esforço diplomático para pôr termo ao conflito armado que opõe o Governo de Kiev e os separatistas pró-Moscovo.
Antes de se encontrarem a sós, Petro Poroshenko e Vladimir Putin passaram seis horas reunidos com os presidentes do Cazaquistão e da Bielorússia e com altos representantes da União Europeia.
Num discurso transmitido pela televisão no início das negociações, Putin dedicou menos de três por cento do tempo ao conflito na Ucrânia, referindo-se principalmente aos prejuízos económicos que, segundo disse, poderão vir a afetar a Rússia se Kiev assinar o acordo de associação com a União Europeia.
As poucas expetativas de um entendimento foram resumidas pelo Presidente bielorusso no final da fase multilateral do encontro:
“Todos nós queríamos um progresso significativo”, disse Alexander Lukashenko. “Mas o facto de o próprio encontro se ter realizado já é de si uma coisa positiva”, acrescentou.
“As conversações foram difíceis. As posições [das partes] diferem, por vezes a um nível fundamental. Todos estão e acordo na necessidade de reduzir a escalada militar e de libertar reféns”, disse.
Conversações "muito duras e complexas"
Seguiu-se o face a face a sós dos dois presidentes, que se prolongou durante duas horas. No final, Poroshenko descreveu as negociações como “ muito duras e complexas”, embora tenham decorrido num clima “globalmente positivo”.
O chefe de Estado ucraniano disse aos jornalistas que Vladimir Putin aceita os princípios de um plano de paz para Ucrânia e que vai ser elaborado “um roteiro” para tentar obter, logo que possível, um cessar-fogo, “que terá de ser, forçosamente, de carácter bilateral”.
Apesar deste tom positivo, não ficou claro como é que os rebeldes separatistas vão responder à ideia de mais um cessar-fogo e as declarações do Presidente russo, no final do encontro, mais não fizeram do que reafirmar as anteriores posições do Kremlin.
Putin defendeu que a Rússia não é parte do conflito e que não lhe compete resolver o que, segundo ele, é um problema interno dos ucranianos. “A Rússia não pode, objetivamente, discutir as condições para um cessar-fogo ou eventuais acordos entre entre Kiev, Donetsk e Lugansk. Isso não nos diz respeito, só depende da Ucrânia”, disse Vladimir Putin.
“Só podemos contribuir para criar uma situação de confiança para um possível, e a meu ver, extremamente necessário processo de negociações”, concluiu.
Paraquedistas russos "perdidos" na Ucrânia
Ao remeter o ónus da solução para o Governo de Kiev, Putin lava as mãos de qualquer responsabilidade num eventual fracasso de uma solução negociada. A despeito das provas cada vez mais óbvias do apoio militar crescente de Moscovo aos rebeldes pró-russos, o Kremlin continua a negar as acusações de interferência que lhe são feitas pelos países ocidentais e pela Ucrânia.
No próprio dia em que os presidentes da Ucrânia e da Rússia se encontraram na capital da Bielorrússia, a Ucrânia exibiu dez paraquedistas russos que diz ter capturado depois de entraram clandestinamente no país.
Putin admitiu tacitamente que estas alegações eram verdadeiras, sugerindo que os soldados se tinham simplesmente perdido: “Ainda não recebi um relatório do ministério da Defesa nem do Estado Maior, mas a primeira coisa que ouvi dizer foi que [os militares russos] estavam a patrulhar a fronteira e podem ter entrado sem querer no território ucraniano”.
A versão dos soldados “perdidos” já tinha sido veiculada por fontes militares em Moscovo e desmentida pelo Governo ucraniano, que diz ter capturado os soldados num ponto localizado a mais de 70 quilómetros da fronteira.
"Carne para canhão"
Os próprios militares russos, em declarações à TV ucraniana, dizem não ter recebido informações acerca da missão e queixam-se de estarem a servir de “carne para canhão”.
“Não vi o ponto em que atravessámos a fronteira. Apenas nos disseram que íamos fazer uma marcha de 70 quilómetros, durante três dias”, disse um deles, que afirma só ter percebido que estava na Ucrânia quando a coluna ficou debaixo de fogo das forças ucranianas.
A Rússia tem vindo a negar desde o início as acusações internacionais de envolvimento no leste da Ucrânia, mas nos últimos dias multiplicam-se os sinais de que Moscovo está a intervir mais às claras no conflito, sem se preocupar já em manter uma fachada plausível de neutralidade.
A Ucrânia diz que helicópteros russos Mi-24 dispararam mísseis não guiados contra um posto fronteiriço ucraniano, na segunda-feira, matando quatro guardas de fronteira.
Blindados e "homenzinhos verdes"
Fontes militares ucranianas dizem também que forças rebeldes, apoiadas por uma pequena coluna de blindados vindos da Rússia, está a tentar abrir uma nova frente de batalha no sul do país. Os blindados terão atravessado a fronteira na segunda-feira, a norte de Novoazovsk, o que levanta a possibilidade de os separatistas pró-russos estarem a tentar assumir o controle de uma faixa de território que ligaria a Rússia à Crimeia.
Outras informações preocupantes, vindas recentemente do leste da Ucrânia, dão conta do aparecimento de militares com forte sotaque russo mas sem insígnias visíveis, que fazem lembrar os infames “homenzinhos verdes” que serviram de ponta de lança para a invasão e anexação da Crimeia.
Um sinal de que não está para breve um ponto final no conflito armado, que, segundo as Nações Unidas, já provocou mais de 2200 mortos, sem contar com as 298 vítimas do avião da Malaysia Airlines que foi derrubado em julho sobre território controlado pelos rebeldes.
Num discurso transmitido pela televisão no início das negociações, Putin dedicou menos de três por cento do tempo ao conflito na Ucrânia, referindo-se principalmente aos prejuízos económicos que, segundo disse, poderão vir a afetar a Rússia se Kiev assinar o acordo de associação com a União Europeia.
As poucas expetativas de um entendimento foram resumidas pelo Presidente bielorusso no final da fase multilateral do encontro:
“Todos nós queríamos um progresso significativo”, disse Alexander Lukashenko. “Mas o facto de o próprio encontro se ter realizado já é de si uma coisa positiva”, acrescentou.
“As conversações foram difíceis. As posições [das partes] diferem, por vezes a um nível fundamental. Todos estão e acordo na necessidade de reduzir a escalada militar e de libertar reféns”, disse.
Conversações "muito duras e complexas"
Seguiu-se o face a face a sós dos dois presidentes, que se prolongou durante duas horas. No final, Poroshenko descreveu as negociações como “ muito duras e complexas”, embora tenham decorrido num clima “globalmente positivo”.
O chefe de Estado ucraniano disse aos jornalistas que Vladimir Putin aceita os princípios de um plano de paz para Ucrânia e que vai ser elaborado “um roteiro” para tentar obter, logo que possível, um cessar-fogo, “que terá de ser, forçosamente, de carácter bilateral”.
Apesar deste tom positivo, não ficou claro como é que os rebeldes separatistas vão responder à ideia de mais um cessar-fogo e as declarações do Presidente russo, no final do encontro, mais não fizeram do que reafirmar as anteriores posições do Kremlin.
Putin defendeu que a Rússia não é parte do conflito e que não lhe compete resolver o que, segundo ele, é um problema interno dos ucranianos. “A Rússia não pode, objetivamente, discutir as condições para um cessar-fogo ou eventuais acordos entre entre Kiev, Donetsk e Lugansk. Isso não nos diz respeito, só depende da Ucrânia”, disse Vladimir Putin.
“Só podemos contribuir para criar uma situação de confiança para um possível, e a meu ver, extremamente necessário processo de negociações”, concluiu.
Paraquedistas russos "perdidos" na Ucrânia
Ao remeter o ónus da solução para o Governo de Kiev, Putin lava as mãos de qualquer responsabilidade num eventual fracasso de uma solução negociada. A despeito das provas cada vez mais óbvias do apoio militar crescente de Moscovo aos rebeldes pró-russos, o Kremlin continua a negar as acusações de interferência que lhe são feitas pelos países ocidentais e pela Ucrânia.
No próprio dia em que os presidentes da Ucrânia e da Rússia se encontraram na capital da Bielorrússia, a Ucrânia exibiu dez paraquedistas russos que diz ter capturado depois de entraram clandestinamente no país.
Putin admitiu tacitamente que estas alegações eram verdadeiras, sugerindo que os soldados se tinham simplesmente perdido: “Ainda não recebi um relatório do ministério da Defesa nem do Estado Maior, mas a primeira coisa que ouvi dizer foi que [os militares russos] estavam a patrulhar a fronteira e podem ter entrado sem querer no território ucraniano”.
A versão dos soldados “perdidos” já tinha sido veiculada por fontes militares em Moscovo e desmentida pelo Governo ucraniano, que diz ter capturado os soldados num ponto localizado a mais de 70 quilómetros da fronteira.
"Carne para canhão"
Os próprios militares russos, em declarações à TV ucraniana, dizem não ter recebido informações acerca da missão e queixam-se de estarem a servir de “carne para canhão”.
“Não vi o ponto em que atravessámos a fronteira. Apenas nos disseram que íamos fazer uma marcha de 70 quilómetros, durante três dias”, disse um deles, que afirma só ter percebido que estava na Ucrânia quando a coluna ficou debaixo de fogo das forças ucranianas.
A Rússia tem vindo a negar desde o início as acusações internacionais de envolvimento no leste da Ucrânia, mas nos últimos dias multiplicam-se os sinais de que Moscovo está a intervir mais às claras no conflito, sem se preocupar já em manter uma fachada plausível de neutralidade.
A Ucrânia diz que helicópteros russos Mi-24 dispararam mísseis não guiados contra um posto fronteiriço ucraniano, na segunda-feira, matando quatro guardas de fronteira.
Blindados e "homenzinhos verdes"
Fontes militares ucranianas dizem também que forças rebeldes, apoiadas por uma pequena coluna de blindados vindos da Rússia, está a tentar abrir uma nova frente de batalha no sul do país. Os blindados terão atravessado a fronteira na segunda-feira, a norte de Novoazovsk, o que levanta a possibilidade de os separatistas pró-russos estarem a tentar assumir o controle de uma faixa de território que ligaria a Rússia à Crimeia.
Outras informações preocupantes, vindas recentemente do leste da Ucrânia, dão conta do aparecimento de militares com forte sotaque russo mas sem insígnias visíveis, que fazem lembrar os infames “homenzinhos verdes” que serviram de ponta de lança para a invasão e anexação da Crimeia.
Um sinal de que não está para breve um ponto final no conflito armado, que, segundo as Nações Unidas, já provocou mais de 2200 mortos, sem contar com as 298 vítimas do avião da Malaysia Airlines que foi derrubado em julho sobre território controlado pelos rebeldes.