EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Conselheiros de África preocupados com indefinições da nova lei e lentidão do governo

Conselheiros de África preocupados com indefinições da nova lei e lentidão do governo

Joanesburgo, 02 Dez (Lusa) - O conselho regional de África do Conselho das Comunidades Portuguesas, reunido em Joanesburgo, manifestou sérias preocupações sobre a nova lei que regulamenta a eleição dos seus sucessores.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Os conselheiros Silvério Silva (coordenador da África do Sul), Elias de Sousa (Durban), Ivo de Sousa (Pretória), Manny dos Passos (Joanesburgo), Jorge Meira (Angola), António Pires (Moçambique) e Manuel Coelho (Namíbia), cujos mandatos expiraram em Março, vão transmitir ao governo a sua preocupação pelas sucessivas demoras na promulgação da nova lei do Conselho das Comunidades.

Vão também manifestar preocupação por não terem tido respostas dos legisladores sobre a necessidade de alteração de algumas alíneas do projecto-lei que o tornam impraticável em futuros actos eleitorais.

A nova lei, que já foi aprovada por maioria na Assembleia da República com os votos do Partido Socialista, reduz igualmente o número de conselheiros de uma centena para 73 e prevê a realização de eleições para o novo conselho em Fevereiro do próximo ano.

A verdade - afirmaram os membros do Conselho Regional de África - é que os prazos previstos no próprio projecto-lei para apresentação de listas e nomeação de candidatos, já estão a expirar e a nova lei continua sem ser emendada nem promulgada pelo Presidente da República.

Entre as matérias em contencioso destacam-se as alíneas E e G do capítulo II, que já foram objecto de cartas do Conselho à Presidência da República, ao Ministério dos Negócios Estrangeiros e à Secretaria de Estado das Comunidades, as quais ficaram até ao momento sem resposta.

A extrema dificuldade de interpretação da linguagem utilizada no projecto-lei - designadamente na definição de quem é elegível para o Conselho - e a obrigatoriedade de os conselhos integrarem candidatos de associações de jovens, estudantes ou empresários, que segundo os conselheiros são inexistentes em Africa e noutros continentes - são algumas das matérias que pretendem ver revistas no projecto-lei.

Presentes na reunião de Joanesburgo do Conselho Regional de África, que se realizou sábado, estiveram o deputado Carlos Páscoa, eleito pelo círculo fora da Europa nas listas do PSD, o cônsul-geral de Portugal em Joanesburgo, Manuel Gomes Samuel, e o conselheiro para assuntos sociais da embaixada portuguesa em Pretória, José Lima.

A necessidade de aumento da participação dos portugueses que residem no estrangeiro nos actos eleitorais - quer para a eleição dos órgãos de soberania como a AR e a Presidência quer para o Conselho das Comunidades - foi debatido em detalhe pelos conselheiros, que insistiram na premência de os utentes dos consulados serem recenseados sempre que ali se dirigem para a obtenção de documentos ou outros actos consulares.

"Ironicamente, e após o governo ter admitido a necessidade de recensear os que vivem fora de Portugal, a verba para recenseamento consular foi reduzida para metade no Orçamento do Estado para 2008", referiu o deputado Carlos Páscoa.

Preocupações quanto à redução das representações diplomáticas portuguesas em vários países africanos foram também ouvidas na reunião. Os casos do encerramento do escritório de representação consular de Portugal na capital da Namíbia e da eliminação do cônsul em Durban, África do Sul (que o governo pretende substituir por um cônsul-honorário), são aqueles que mais críticas ao governo suscitaram no encontro.

Em declarações à Lusa, o conselheiro da Namíbia, Manuel Coelho, reafirmou a sua intenção de ir a Lisboa devolver ao Presidente da República a comenda que lhe foi atribuída pelo governo português se o escritório consular do seu país for encerrado em Windhoek.

O Conselho Regional de África teceu rasgados elogios ao trabalho desenvolvido pelo governo português na área do ensino da língua Portuguesa na África do Sul, manifestando o desejo de ver programas com a mesma dimensão e alcance serem implementados noutras regiões do mundo com forte presença portuguesa.

O relatório apresentado ao Conselho pelo seu coordenador, Silvério Silva, elogia o forte apoio concedido à comunidade pelo embaixador de Portugal em Pretória, Paulo Barbosa, e pelo cônsul-geral em Joanesburgo, Manuel Gomes Samuel em múltiplas áreas da vida da comunidade como ensino, assistência social e prevenção da criminalidade, que é um dos grandes problemas dos portugueses residentes no país.

Em resultado das muitas queixas apresentadas pelos portugueses de Pretória - e transmitidas ao Conselho pelo conselheiro Ivo de Sousa - foi decidido elaborar uma carta de protesto ao Ministério dos Negócios Estrangeiros e à SEC contra a diplomata Cristina Moniz, que chefia a secção consular de Pretória por alegadamente primar pela ausência no seu posto de trabalho e não apoiar o movimento associativista da capital sul-africana.

AP.


PUB