Mundo
Conselho dos Aeroportos receia situação "incontrolável" por causa da recolha de biometria
Os problemas na recolha de biometria não estão a acontecer apenas nos aeroportos portugueses. As horas de espera no controlo de fronteiras repetem-se Europa fora, sendo que o Conselho Internacional de Aeroportos já pediu à Comissão Europeia a possibilidade de suspender por completo as verificações.
O pessimismo vem do diretor europeu do Conselho Internacional de Aeroportos. Em declarações ao Financial Times, esta entidade reportou que há aeroportos europeus onde se tem esperado até três horas nas filas de controlo de fronteira, com a entrada em vigor de uma nova fase do EES - Sistema Europeu de Entrada / Saída.
"Esta situação, nas próximas semanas e certamente durante os meses de pico do verão, será simplesmente incontrolável", explica Olivier Jankovec.
Perante o maior tempo que se tem esperado e as longas filas, esta entidade já pediu à Comissão Europeia o prolongamento de isenções existentes e a possibilidade de suspender totalmente as verificações.
"Precisamos da possibilidade de suspender totalmente o registo no EES sempre que houver tempos de espera excessivos no controlo de fronteiras que se tornem incontroláveis", diz Jankovec ao Financial Times.
Entrou em pleno na última sexta-feira a recolha de dados biométricos nas partidas e nas chegadas dos aeroportos europeus, mas sucedem-se as filas e as histórias de passageiros a perderem voos. No domingo, a BBC noticiou que cerca de 100 pessoas não embarcaram num voo da Easyjet em Milão, em Itália, rumo a Manchester, no Reino Unido, por causa das novas medidas no controlo das fronteiras.
Em Portugal, a Polícia de Segurança Pública (PSP) já afirmou que vai suspender a recolha de dados biométricos sempre que existir um elevado tempo de espera.
Depois das suspensões feitas no fim-de-semana, no setor das partidas em Lisboa, no Porto e em Faro, a PSP detalhou à RTP Antena 1 que procura equilibrar entre a recolha e o tempo de espera. Mesmo sublinhando que funciona na capacidade máxima, aponta que há períodos com um elevado número de passageiros.
No dia 10 de abril, um comunicado conjunto do Conselho Internacional de Aeroportos e da Airlines for Europe alertava para "interrupções significativas nas operações, com passageiros a perder voos e atrasos devido ao tempo prolongado de processamento nas fronteiras".
"O tempo de espera dos passageiros nos controlos de fronteira dos aeroportos varia de duas a três horas durante os períodos de pico de viagens", avisavam as entidades, isto "apesar das autoridades de fronteira estarem a usar amplamente medidas de suspensão parcial, que impedem a recolha de dados biométricos".
Segundo o Financial Times, o Conselho dos Aeroportos e a Comissão Europeia abordam de forma diferente o tempo que leva o registo de um passageiro: a organização refere que em horários de pico pode chegar aos cinco minutos, enquanto a Comissão sublinha uma média de 70 segundos. Citado pelo jornal, a Comissão afirma que o sistema "está a funcionar muito bem" e que não há problemas na maior parte dos estados-membros.
O EES prevê que os passageiros de países não pertencentes à UE registem informações pessoais e dados biométricos ao entrarem no bloco europeu pela primeira vez.