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Contactos secretos, "troca" e saída pelo Azerbaijão: os bastidores da libertação dos dois franceses detidos no Irão

Contactos secretos, "troca" e saída pelo Azerbaijão: os bastidores da libertação dos dois franceses detidos no Irão

Os dois cidadãos franceses, detidos no Irão desde 2022, regressam a França esta quarta-feira. Vários países atuaram como mediadores para garantir a libertação, em especial o Sultanato de Omã.

Um Olhar Europeu com Franceinfo /
O Presidente francês Emmanuel Macron preside a uma reunião do Conselho de Defesa e Segurança de França após o anúncio do cessar-fogo na guerra contra o Irão e para discutir o regresso de Cécile Kohler e Jacques Paris, dois cidadãos franceses libertados pelo Irão após três anos e meio de detenção, no Palácio do Eliseu, em Paris, a 8 de abril de 2026. Tom Nicholson / AFP



Os dois antigos reféns, Cécile Kohler e Jacques Paris, são esperados em França nesta quarta-feira, 8 de abril. 

O Quai d'Orsay forneceu alguns pormenores sobre a libertação. Os dois franceses deixaram a embaixada francesa em Teerão, onde se encontravam em prisão domiciliária, na madrugada de terça-feira.

Cécile Kohler, professora de literatura, e Jacques Paris, professor reformado, foram detidos a 7 de maio de 2022, no último dia de uma viagem turística ao Irão. 

Encarcerados na sinistra prisão de Evine, foram condenados em outubro de 2025 a 20 e 17 anos de prisão, respetivamente, nomeadamente por espionagem, antes de serem libertados em 4 de novembro, mas proibidos de abandonar a República Islâmica do Irão.
Saída secreta do Irão mas sob apertada vigilância
Os dois professores, de 41 e 72 anos respetivamente, chegaram a Baku, no Azerbaijão, na terça-feira, num comboio diplomático proveniente da embaixada francesa em Teerão, onde se encontravam em prisão domiciliária há cinco meses

A partida do Irão foi mantida em segredo até ao último momento, por receio de complicações de última hora. Só depois de terem deixado o Irão é que Emmanuel Macron anunciou a notícia.

Não terá havido qualquer coordenação com as forças israelo-americanas para permitir a sua saída por estrada. Quanto às negociações que conduziram à sua saída do Irão, ganharam nova celeridade desde o início da guerra entre os Estados Unidos e Israel. O papel de Omã Desde 28 de fevereiro, houve seis telefonemas diretos entre o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, e o seu homólogo iraniano, Abbas Araghchi. E no domingo, 5 de abril, o ministro iraniano confirmou que a saída seria finalizada e que poderia ter lugar "muito rapidamente".

Vários países serviram de mediadores para obter o seu regresso a França, nomeadamente o Sultanato de Omã, que enviou mensagens às autoridades iranianas. A mediação de Omã ajudou a "desbloquear a situação", segundo o Quai d'Orsay

Emmanuel Macron, que se encontrou com os dois antigos detidos, também agradeceu às autoridades de Omã "pelos esforços de mediação".

No entanto, durante meses, a situação parecia estar num impasse: os vários ministros dos Negócios Estrangeiros franceses trabalharam incansavelmente para obter a libertação, num contexto tornado ainda mais difícil nas últimas semanas pela guerra no Irão, que rebentou a 28 de fevereiro. 

A libertação é o culminar de um "esforço a muito longo prazo", segundo o Palácio do Eliseu, que recordou que Emmanuel Macron "foi o primeiro chefe de Estado ocidental a falar com o Presidente iraniano", Massoud Pezeshkian, após o início da guerra. "De cada vez que telefonou, reiterou as nossas expetativas de forma extremamente clara", segundo a Presidência francesa.
Teerão fala de "troca" Oficialmente, e ao contrário do que o Irão afirma há vários meses, não houve qualquer troca entre os dois franceses e Mahdieh Esfandiari. Esta iraniana foi condenada em fevereiro passado a quatro anos de prisão, um dos quais por defesa do terrorismo. Teerão sugere que houve um acordo: a libertação dos dois franceses em troca da libertação da mulher iraniana. A comitiva do ministro Jean-Noël Barrot recusa-se a estabelecer qualquer ligação entre os dois casos.

Mahdieh Esfandiari não foi presa no final da sua sentença, tendo recorrido da mesma. No entanto, foi proibida de sair de Paris e teve de se apresentar duas vezes por semana na esquadra de polícia local. 

Poucas horas depois de Jacques Paris e Cécile Kohler terem deixado o Irão, soube-se que a prisão domiciliária tinha sido levantada. Daí a poder em breve sair de França, é um passo muito curto.

A estratégia iraniana dos "reféns de Estado" parece agora pertencer ao passado: nos últimos anos, o Irão tinha aumentado o número de detenções de cidadãos ocidentais, muitas vezes acusando-os de espionagem, para os utilizar como moeda de troca para libertar iranianos presos em países ocidentais ou para obter promessas políticas. A guerra entre o regime e os Estados Unidos e Israel parece ter alterado a situação mais do que nunca. 

No auge da crise dos "reféns de Estado" com Paris, Teerão chegou a deter sete cidadãos franceses em simultâneo. Atualmente, não há qualquer francês detido.

Radio France / 8 abril 2026 06:44 GMT+1

Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa - RTP
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