Coreia do Norte denuncia pacto de segurança militar

Coreia do Norte denuncia pacto de segurança militar

O exército norte-coreano anunciou hoje que decidiu pôr fim a um acordo que visava impedir o eclodir de confrontos armados com a Coreia do Sul. A decisão segue-se a um agudizar das tensões entre o Norte e o Sul depois de Seul ter acusado oficialmente a marinha de Pyiongyang de ter afundado uma corveta sul-coreana perto da fronteira marítima entre os dois países.

António Carneiro, RTP /
Corveta sul-coreana em exercícios anti-submarinos Yonhap News Agency, EPA

A notícia do fim do acordo surge depois de o regime de Kim Jong Il ter decidido romper as relações bilaterais com o Sul. Numa mensagem enviada às forças militares, o chefe do estado-maior norte coreano avisou que haveria um ataque imediato, se a Coreia do Sul violasse a fronteira inter-coreana do mar amarelo, que é alvo de disputa entre os dois países.

Por seu lado o Governo de Seul levou hoje a cabo um exercício de luta anti-submarina que envolveu 10 navios. As manobras são a primeira demonstração visível de força por parte do Sul desde o início da crise e decorreram ao largo da cidade costeira de Taean, muito a sul da zona do mar amarelo disputada entre os dois vizinhos.

A nova crise entre os "irmãos inimigos", separados desde o fim da guerra da Coreia há quase sessenta anos, foi desencadeada na semana passada pela publicação das conclusões de um inquérito ao naufrágio da corveta sul-coreana "Cheonan" a 26 de Março.

Uma comissão de peritos internacionais concluiu que o navio de guerra do Sul tinha sido atingido por um torpedo, disparado por um submarino norte-coreano, o que provocou a morte a 46 marinheiros.

Washington apoia Coreia do Sul

A Secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, deslocou-se quarta-feira à capital da Coreia do Sul, para reafirmar o apoio dos Estados Unidos a este país. O Presidente sul-coreano prometeu "fazer pagar ao Norte" o afundamento da corveta, e tem intenções de pedir ao Conselho de Segurança da ONU que decrete novas sanções contra o regime de Pyongyang.

Apesar do apoio de Washington, a concordância de outros membros permanentes do Conselho de Segurança está longe de garantida. A Rússia declarou esta quinta-feira que o dossier que implica a Coreia do Norte no naufrágio do "Cheonan" não poderá ser transmitido ao Conselho sem que haja "provas a 100 por cento" da culpabilidade norte-coreana.

O Presidente russo Dmitri Medvedev anunciou quarta-feira que tinha enviado para a Coreia do Sul uma equipa de peritos para examinar as conclusões do inquérito internacional.

"Os nossos especialistas estão neste momento a estudar as conclusões do inquérito" declarou o porta-voz do ministério dos negócios estrangeiros russo, Igor Liakine-Frolov, "teremos que tirar as nossas próprias conclusões sobre o que se passou. Tudo dependerá da situação e das provas" acrescentou este porta-voz citado pela agência Interfax.

China perante um dilema

Também a China não se mostra entusiasmada com a perspectiva de sanções. Pequim é o mais próximo aliado de Pyongyang na região e no mundo e encontra-se actualmente numa posição ingrata. A escolha é entre as históricas relações com o estado norte-coreano, que se revelam úteis no delicado balanço de poderes da região, e o seu parceiro comercial mais próximo, a Coreia do Sul.

O governo da China sabe que se não fizer nada, preservará as relações com o seu aliado tradicional, mas poderá prejudicar as aspirações chinesas de que o país seja visto como uma potência global emergente responsável.

Não admira pois que a atitude de Pequim seja a de tentar ganhar tempo, enquanto exerce discretamente pressões diplomáticas junto de Pyongyang. Para já o gigante asiático não parece estar pronto a juntar-se aos que acusam a Coreia do Norte.

"O assunto é muito complicado. A China não dispõe de informação em primeira-mão" disse hoje o porta-voz do ministério dos negócios estrangeiros chinês, Ma Zhaoxu.", "estamos a examinar a informação de todos os lados de uma forma prudente" acrescentou

O incidente deverá dominar uma cimeira trilateral prevista para o fim de semana na Coreia do Sul, que reúne o primeiro ministro chinês Wen Jiabao e os seus homólogos sul-coreano e japonês.

Entretanto e á margem da diplomacia, a retórica entre as Coreias continua a aumentar de tom. Na sequência da publicação do inquérito, a Coreia do Sul anunciou uma série de medidas que passam pela suspensão do comércio e trânsito de pessoas com o Norte.

Por seu lado Pyongyang anunciou o corte de todas as relações com o seu vizinho e a interdição de todos os navios e aviões do Sul no seu território.

 

 

 

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