Coreia do Norte retira embaixador em Londres devido a sanções contra acampamento infantil

Coreia do Norte retira embaixador em Londres devido a sanções contra acampamento infantil

As autoridades norte-coreanas chamaram o seu embaixador no Reino Unido para consultas, em protesto contra sanções impostas a um acampamento infantil onde, alegadamente, estão a doutrinar crianças ucranianas que foram deslocadas à força para a Coreia do Norte.

Lusa /

A Embaixada da Coreia do Norte em Londres confirmou à publicação norte-coreana NK News que Pyongyang chamou Mun Myong-sin e reduziu as relações bilaterais ao nível de encarregado de negócios até que sejam levantadas as sanções ao Acampamento Infantil Internacional Songdowon, situado na cidade costeira de Wonsan.

Segundo a missão diplomática norte-coreana em Londres, a medida responde a um "ato extremamente provocador" do Governo britânico, que defendeu a imposição de sanções "atrozes, antiéticas e com motivações políticas".

O Reino Unido anunciou, no início de maio, sanções que incluíam o congelamento de ativos contra o acampamento Songdowon por "participar e prestar apoio ao programa do Governo russo para a deportação forçada e a reeducação de crianças ucranianas", o que "mina ou ameaça a integridade territorial, a soberania e a independência da Ucrânia", no contexto da invasão russa do país.

Dias depois, o Ministério dos Negócios Estrangeiros norte-coreano publicou um comunicado no qual afirmou que as sanções tinham como objetivo manchar a imagem da Coreia do Norte e as relações de amizade entre Pyongyang e Moscovo, "ao associar injustificadamente" o centro à "questão infundada da deslocação forçada de crianças ucranianas".

O ministério acrescentou que "o Governo britânico será totalmente responsável por todas as consequências decorrentes do seu grave ato hostil" contra a Coreia do Norte, noticiou na altura a agência de notícias norte-coreana KCNA.

A Comissão Internacional Independente de Investigação para a Ucrânia da ONU documentou mais de 1.200 transferências de crianças ucranianas por parte da Rússia, na maioria dos casos sem informar os familiares ou as autoridades ucranianas, tendo concluído que se trata de crimes contra a humanidade.

Kiev, que denunciou milhares de "sequestros" de crianças a partir de territórios ocupados desde o início da invasão russa, acusou em dezembro a Rússia de enviar crianças ucranianas para a Rússia, Bielorrússia e Coreia do Norte.

De acordo com um relatório da ONG ucraniana Centro Regional de Direitos Humanos, apresentado na altura no Senado dos Estados Unidos, pelo menos dois menores ucranianos acabaram por ser levados para Songdowon: Misha, de 12 anos, e Liza, de 16.

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