Coreia do Norte volta a adiar investigação sobre raptos de japoneses
Tóquio, 24 dez (Lusa) -- A Coreia do Norte voltou a adiar a sua investigação sobre o sequestro de cidadãos japoneses como represália à resolução das Nações Unidas que denuncia abusos do regime, revelou hoje o diário japonês Nikkei.
Pyongyang e Tóquio acordaram em maio estabelecer um comité de investigação para resolver o assunto dos sequestros de cidadãos nipónicos às mãos do regime dos Kim, decisão que levaria as autoridades japonesas a levantar parte das sanções que mantinha sobre a Coreia do Norte.
Tóquio defende que, entre 1977 e 1983, pelo menos 17 japoneses -- dos quais apenas cinco conseguiram regressar ao Japão -- foram sequestrados para ensinarem a língua e cultura japonesa no programa de formação dos espiões norte-coreanos, ainda que se suspeite que centenas de japoneses possam ter sido capturados pelo regime da Coreia do Norte.
A Coreia do Norte não cumpriu a sua promessa de apresentar um relatório no outono sobre o desenvolvimento da investigação, ainda que tenha convidado no final de outubro uma delegação japonesa a visitar Pyongyang onde se comprometei a interrogar os autores dos sequestros.
Pese embora a pressão nipónica para os avanços na investigação, Pyongyang voltou a adiar a divulgação dos resultados da sua investigação depois de o Conselho de Segurança ter aprovado uma resolução sobre os crimes contra a humanidade cometidos pelo regime.
O regime norte-coreano recusou a resolução apoiada por 116 países, incluindo o Japão, e classificou a decisão como um complô político contra o país, numa ação liderada pelos Estados Unidos para criar "confrontação", como salientou o vice embaixador da Coreia do Norte na ONU, An Myong-hun.