Coreia do Sul avisa que greve na Samsung pode afetar economia

Coreia do Sul avisa que greve na Samsung pode afetar economia

O Governo da Coreia da Sul pediu hoje uma resolução urgente do conflito laboral na fabricante de semicondutores Samsung Electronics e avisou que a greve de 21 de maio pode comprometer a economia do país.

Lusa /

"Uma greve dos trabalhadores pode representar um risco significativo para o crescimento económico, as exportações e o mercado financeiro", afirmou o ministro das Finanças sul-coreano, Koo Yun-cheol, num comunicado divulgado pela Yonhap.

Segundo a agência de notícias local, Koo reuniu-se choje om as autoridades financeiras para discutir a situação e analisar as potenciais consequências económicas da greve, no meio da crescente procura por chips utilizados em inteligência artificial (IA).

Em resposta, a Confederação Coreana de Sindicatos disse em comunicado que, "antes de discutir a competitividade da indústria de semicondutores, a prioridade deve ser garantir os direitos e a dignidade dos trabalhadores que a sustentam".

A Samsung Electronics anunciou na quarta-feira que não chegou a acordo com os sindicatos da Coreia do Sul, após dias de conversações salariais para tentar evitar uma greve prevista para 21 de maio.

A mediação governamental "infelizmente falhou, depois de o sindicato ter declarado que as negociações tinham terminado", afirmou a empresa, num comunicado citado pela Yonhap.

De acordo com a agência, a Samsung Electronics afirmou que fará "esforços sinceros até ao fim para evitar que o pior cenário se concretize".

Após dois dias de negociações mediadas pelo Governo, o sindicato e a administração da empresa continuam divididos sobre os bónus por desempenho, aumentando as preocupações de que uma greve possa perturbar a cadeia de fornecimento de semicondutores.

Após uma reunião no escritório da Comissão Nacional de Relações Laborais, na cidade de Sejong, o líder sindical Choi Seung-ho disse que, como as diferenças entre os trabalhadores e a empresa "não diminuíram", solicitaram a mediação do governo, "mas a proposta só veio piorar as coisas".

"Não temos qualquer intenção de iniciar uma greve ilegal, mas procederemos pela via legal", acrescentou.

A greve deverá ocorrer entre 21 de maio e 07 de junho.

Os trabalhadores exigem a eliminação atual do limite para o bónus de desempenho, fixado em até 50% do salário anual, e pedem a substituição por um sistema que reserve 15% do lucro operacional para incentivos.

O jornal local JoongAng Daily aponta que, se a empresa obtivesse este ano um lucro operacional de 300 biliões de wons (173,4 mil milhões de euros), o fundo para bónus seria de 45 biliões de wons (26 mil milhões de euros).

Choi Seung-ho alertou que, se a produção for interrompida durante 18 dias, tal terá um impacto para a empresa próximo de 18 biliões de wons (10,4 mil milhões de euros).

De acordo com analistas, as perdas para a economia da Coreia do Sul poderão ultrapassar 40 biliões de won (22,7 mil milhões de euros).

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