Coreia do Sul e Ucrânia aceitam pedido de repatriação de soldados norte-coreanos

Coreia do Sul e Ucrânia aceitam pedido de repatriação de soldados norte-coreanos

Seul e Kiev acordaram hoje respeitar a "livre vontade" dos dois soldados norte-coreanos capturados pela Ucrânia na guerra com a Rússia, face ao aparente desejo destes de serem transferidos para a Coreia do Sul.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"[Os presidentes dos dois países] acordaram resolver a questão dos prisioneiros de guerra norte-coreanos na Ucrânia de forma compatível com o direito internacional e os princípios humanitários, respeitando a livre vontade das partes envolvidas", declarou a porta-voz presidencial sul-coreana Kang Yu-jung, após um encontro entre os dois líderes à margem da cimeira da NATO em Ancara.

Os dois soldados foram capturados pelas forças ucranianas no início de 2025, quando combatiam em apoio à Rússia na região de Kursk, e manifestaram o desejo de ir para a Coreia do Sul, tanto em cartas divulgadas em dezembro como numa entrevista ao jornal sul-coreano Chosun Ilbo.

Moscovo, por seu lado, terá solicitado a repatriação no âmbito de trocas de prisioneiros, segundo o deputado sul-coreano Yu Yong-weon.

A Comissão Nacional de Direitos Humanos da Coreia do Sul pediu em abril ao Governo que facilite a transferência dos militares para o país ou para outro destino e evite uma repatriação forçada.

Organizações como a Human Rights Watch alertaram, invocando o princípio de não devolução, que uma repatriação para a Coreia do Norte poderia expô-los a desaparecimento forçado ou tortura.

O Governo sul-coreano sustenta que os soldados norte-coreanos são constitucionalmente considerados cidadãos da Coreia do Sul e que aceitaria qualquer prisioneiro de guerra que deseje ir para Seul.

O caso, contudo, representa uma complexidade diplomática para a política de distensão de Lee em relação a Pyongyang, que poderá interpretar a medida como uma traição dos seus militares.

Tópicos
PUB