EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Cortes de financiamento dos EUA vão prejudicar os direitos humanos em África

Cortes de financiamento dos EUA vão prejudicar os direitos humanos em África

Uma investigação do Instituto de Estudos de Segurança (ISS) indicou hoje que a suspensão das atividades da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) pode aumentar o risco das violações dos direitos humanos, nomeadamente em Moçambique. 

Lusa /

A interrupção do financiamento da USAID, imposta pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, pode aumentar o risco das violações dos direitos humanos e diminuir a confiança dos cidadãos nos seus governos, deixando os países mais vulneráveis a um extremismo ainda mais violento, indicou o investigador Kelly Stone no artigo.

"Os grupos terroristas exploram frequentemente os baixos níveis de confiança dos cidadãos, os abusos das forças de segurança e a pobreza e exclusão subjacentes como principais instrumentos de recrutamento. As consequências potenciais são alarmantes, especialmente nos países da África Ocidental, Somália e Moçambique, onde os grupos extremistas violentos causam uma violência generalizada", lamentou Stone.

Em 2024, os programas de apoio à democracia, aos direitos humanos, à governação e à segurança representavam 10% do pacote de ajuda a África proposto pela USAID, no valor de oito mil milhões de dólares (cerca de sete mil milhões de euros), exemplificou.

"Os principais beneficiários da ajuda não-humanitária dos EUA foram a Nigéria (600 milhões de euros), Moçambique (544 milhões de euros), Tanzânia (540 milhões de euros), Uganda (539 milhões de euros) e Quénia (494 milhões de euros)", enumerou.

Em 2022, todos os países africanos receberam, de alguma forma, ajuda dos EUA, variando entre 125 milhões e 500 milhões de dólares (entre 120 e 482 milhões de euros) e "uma retirada total ou parcial prejudicaria o progresso económico e exacerbaria a pobreza, agravando as crises humanitárias", salientou.

Assim, a cessação de ajuda a África "poderá criar um vazio que os rebeldes poderão explorar e comprometer a segurança", mas também pode aumentar a influência de regimes autoritários - como a China e a Rússia - no continente, disse.

"Isto poderia restringir o acesso dos EUA aos mercados emergentes, levando à perda de oportunidades comerciais numa região repleta de potencial e promovendo o desenvolvimento de políticas que contrariam os interesses dos EUA", alertou.

No entanto, a política atual de Trump vê este tipo de ajuda externa como "uma despesa desnecessária", frisou.

O abandono do papel dos EUA em África interromperia iniciativas vitais de desenvolvimento, agravaria a instabilidade e a pobreza e perturbaria os alinhamentos geopolíticos, disse

"Considerando que Trump não visitou África uma única vez durante o seu primeiro mandato e fez declarações depreciativas sobre o continente, a sua ignorância sobre África não surpreende", criticou.

Nos primeiros dias do seu segundo mandato, Trump suspendeu toda a ajuda internacional durante 90 dias, com exceção dos programas humanitários alimentares e da ajuda militar a Israel e ao Egito.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, será o novo diretor interino da USAID, que acusou de estar "completamente desprovida de capacidade de resposta", criticando a "insubordinação" naquele organismo.

A USAID - cuja página `online` desapareceu no sábado sem explicação - tem sido uma das agências federais mais visadas pela nova administração norte-americana.

 

Tópicos
PUB