CPLP. Editora Rosa de Porcelana defende "mala diplomática" para o livro

CPLP. Editora Rosa de Porcelana defende "mala diplomática" para o livro

A identidade coletiva da CPLP só tem sustentabilidade e futuro numa política que faça circular o livro e os autores, defendem os responsáveis da editora Rosa de Porcelana, que sugerem uma espécie de "mala diplomática".

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Especializada em literatura cabo-verdiana, mas aberta a tantas outras vozes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a editora fundada em 2013 por Filinto Elísio e Márcia Souto conhece bem o mercado lusófono e acredita que pode ajudar a desbravar caminhos, para fortalecer uma identidade coletiva "plural, rica e diversa".

"A prazo, a sustentabilidade e a longevidade desta comunidade está de facto nesse húmus cultural que é preciso ter, em que a leitura, o livro, o autor é extremamente importante. Parece-me que medidas sobretudo relacionadas à distribuição, à circulação, algum tipo de -- passando a expressão -- mala diplomática, digamos assim, para um caminho mais facilitado envolvendo o produto livro", defenderam os dois editores.

"Uma política do livro e uma política de circulação e de leitura mais integrada, que permitisse mais mobilidade, que esbatesse as fronteiras e as alfândegas, onde os livros e os autores pudessem circular", é o caminho que sugerem, propondo a criação de uma plataforma.

"Enquanto editores, sentimos que esta comunidade de países, que até certo ponto nos representa, se tivesse até este momento montado uma plataforma dentro de uma política de livro, permitir-nos-ia crescer mais", afirmou.

A Rosa de Porcelana Editora consolidou-se como uma ponte literária crucial no espaço lusófono, interligando de forma dinâmica as geografias e culturas de Cabo Verde, Portugal e o Brasil, ganhando maior projeção internacional através da organização do Festival Literatura Mundo do Sal, em Cabo Verde.

A criação de um mecenato para a leitura seria outro passo desejável.

"Uma instituição como a CPLP deveria ter o seu observatório, um mecenato para a leitura que permitisse, por exemplo, a cada ano ter antologias, com a participação das várias editoras, por exemplo, de contos, de poesia, de ensaios dos vários países, para que houvesse livros de referência", disseram.

Instituir prémios de tradução para grandes obras, e promover o papel das comunidades na diáspora são contributos que deixam à consideração dos responsáveis.

"Não se pode criar uma comunidade baseada na cultura sem que o pilar livro, leitura, autor e leitor estejam firmes nesta construção. Portanto, o nosso apelo é um apelo crítico, mas construtivo e com abertura total também para dar o nosso modesto contributo", afirmam.

"Assim como se chamam operadores económicos, operadores judiciais, outros tipos de operadores, de vez em quando [a CPLP] devia reunir autores, devia reunir editores, devia reunir distribuidores e criar um programa e uma espécie de praça de reflexão para que nós ajudássemos também a montar essa política global, em prol do livro e da leitura", apontam.

Para os dois editores, a CPLP "só tem sustentabilidade futura" na afirmação e densificação duma identidade "coletiva, plural e rica", mas que só se fortalece "se um lê o outro, se um compreende o outro, se os autores se conhecem, se os leitores conhecem as obras de cada país".

Acreditando que melhores dias virão e que os próximos anos da CPLP irão trazer "novos pilares", não deixam de sublinhar que a comunidade expressa a vontade dos países-membros e, nesses países-membros, a cultura tem sido, "uns mais que outros", um parente pobre da política pública e da prioridade orçamental.

Contudo, nesta data de celebração dos 30 anos da CPLP, reforçam a ideia de pertença, com otimismo, mas sem abdicar de ter uma voz sobre os caminhos futuros da comunidade.

"Amar livro, amar autor, amar literatura, nós próprios escrevemos, somos da área literária. E acreditamos que este caminho é a Carta de Pêro Vaz de Caminha, `em se plantando dá`. Vamos plantar que dará", concluem Márcia Souto e Filinto Elísio.

 

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