CPLP. "Não cabe aos ministros decidir sobre presidência" diz embaixador de Portugal
O embaixador de Portugal junto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) disse hoje que "não cabe aos ministros decidir" sobre quem vai liderar a comunidade a partir de 2027, numa resposta ao MNE da Guiné Equatorial.
"A futura presidência é uma matéria que ainda vai ser decidida, é uma competência dos chefes de Estado e do Governo, da Conferência dos Chefes de Estado e do Governo e, portanto, não cabe aos ministros decidir sobre essa matéria, cabe aos Presidentes e aos chefes de Governo", respondeu António de Almeida Lima quando questionado pela Lusa sobre as declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros da Guiné Equatorial.
"A Guiné Equatorial está pronta para assumir a presidência da CPLP e a próxima cimeira da CPLP terá lugar em Malabo", disse Simeon Angue aos jornalistas, no final de uma visita, esta manhã, à sede da organização lusófona, que hoje comemora 30 anos.
Horas depois, o embaixador de Portugal na CPLP vincou que a preferência portuguesa para assumir a liderança da CPLP a partir de 2027 recai sobre o Brasil.
"A situação mundial aconselha que tenhamos na presidência um país como o Brasil, que tem uma visão geoestratégica mais global, no sentido em que está envolvido em várias regiões, nomeadamente com os BRICS e com o G20, tem outro tipo de preocupações e é importante para a CPLP ter na presidência nos próximos anos um país com uma dimensão global bastante significativa e que trará certamente para todos nós uma mais-valia grande", acrescentou o diplomata nas declarações à Lusa à margem da inauguração da chancelaria de Portugal junto da CPLP, situada na rua do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
António de Almeida Lima admitiu que "um dia" a Guiné Equatorial possa liderar a comunidade dos países lusófonos, mas vincou que a preferência atual do Governo português recai sobre o Brasil, que aproximou-se novamente da CPLP durante a presidência de Lula da Silva, depois de um afastamento enquanto Jair Bolsonaro foi o presidente brasileiro.
"Respeitamos a Guiné Equatorial, que é um país membro e poderá eventualmente vir a assumir a presidência um dia também, mas, neste momento, a opção portuguesa tem sido essa, mas é um assunto que continua a ser discutido", explicou.
Na cimeira de Bissau, em 2025, os chefes de Estado e de Governo não chegaram a consenso sobre a atribuição da próxima presidência da organização lusófona, com uns a apoiarem a Guiné Equatorial e outros o Brasil.
O assunto da próxima presidência da CPLP para o biénio 2027-2029 deverá ser abordado no Conselho de Ministros da organização, que vai realizar-se em Díli a 18 e 19 de agosto.