Criado novo partido guineense na linha do português PND, de Manuel Monteiro
O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) da Guiné-Bissau aprovou a criação do Partido da Nova Democracia (PND), o 31º legalizado no país, disse hoje à Agência Lusa o presidente da comissão instaladora.
Ibraima Djaló indicou que a nova força política, que ainda não tem líder eleito, inspirou-se nos "ideais" do partido homónimo português, liderado por Manuel Monteiro, defendendo o liberalismo político e económico como modelo de sociedade.
Segundo Ibraima Djaló, o PND guineense é formado por quadros políticos e da sociedade civil que apoiaram Iaia Djaló nas eleições presidenciais de 19 de Junho de 2005.
Actual 2º vice-presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP, Parlamento), Iaia Djaló foi eleito deputado nas legislativas de Março de 2004 nas listas do Partido da Renovação Social (PRS), com o qual, entretanto, entrou em ruptura.
Contactado pela Lusa, Iaia Djaló escusou-se a comentar a criação do novo partido e a intenção dos seus promotores em vê-lo como respectivo líder.
A recusa de Iaia Djaló decorre do facto de ter sido eleito deputado pelo PRS e, segundo o Regimento do Parlamento, caso assuma uma qualquer função numa outra força política, perde, de imediato, o estatuto parlamentar, não podendo sequer passar a independente.
Segundo o presidente da Comissão Instaladora, o PND visa, através da confluência de democratas com diversas formações e orientações, contribuir para a renovação política na Guiné-Bissau, tendo como pano de fundo uma "sociedade digna, livre, justa e solidária e uma democracia liberal e de valores".
Nesse sentido, Ibraima Djaló considera que a actual classe política guineense tem permitido "uma descida de nível" dos debates e promovido "a falta de preparação para os princípios éticos", agravando, nomeadamente, a corrupção.
Em relação a Iaia Djaló, antigo 1º vice-presidente dos "renovadores", foi um dos 13 candidatos que se apresentaram às eleições presidenciais de 19 de Junho de 2005, em que obteve o sexto lugar, com 1,57 por cento dos votos.
Nessa votação, Iaia Djaló, 43 anos, afrontou o líder histórico do PRS, Kumba Ialá, sobretudo depois de ter sido derrotado nas "primárias" dos "renovadores" pelo fundador do partido, o que abriu caminho para o seu afastamento da liderança desta força política.
Iaia Djaló já foi vice-presidente do Parlamento e ministro dos Negócios Estrangeiros no primeiro governo de Kumba Ialá (2000/01), tendo desempenhado também o cargo de administrador do Sistema da ONU em Bissau, nomeadamente no Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
Com a legalização do Partido da Nova Democracia, a Guiné- Bissau conta actualmente com 31 forças políticas, tendo um universo, segundo o último recenseamento eleitoral, de 2004, cerca de 538 mil eleitores.