Crianças africanas usadas para sacrifícios humanos

Crianças africanas usadas para sacrifícios humanos

Crianças oriundas de África são traficadas para o Reino Unido para serem usadas em rituais de sacrifícios humanos, sendo espancadas e mesmo assassinadas, refere um relatório da polícia britânica, divulgado pela BBC.

Agência LUSA /

De acordo com o relatório, encomendando pela Polícia Metropolitana britânica, as crianças são sujeitas a estes sacrifícios humanos depois de serem consideradas bruxas por pastores em várias igrejas do Reino Unido.

O documento refere que a polícia encontra nas investigações destes casos um "muro de silêncio", porque os membros destas comunidades recusam-se a falar sobre estas práticas por considerarem poder trair a sua família, comunidade ou religião ou ser alvo de sanções.

Este relatório foi elaborado na sequência do julgamento do caso de uma criança oriunda de Angola que foi torturada por três pessoas, incluindo um tio, com o propósito de lhe "retirar o diabo do corpo".

O documento foi elaborado com a ajuda de assistentes sociais, representantes de organizações de defesa dos direitos humanos e de mediadores que trabalham nomeadamente com as comunidades africanas no Reino Unido.

De acordo com o jornalista que teve acesso ao relatório, Angus Stickler, o documento fala de rituais e de bruxaria praticadas em igrejas de Londres e refere que se trata de "um grande negócio".

Muitos destes rituais requerem, para serem eficazes, o sacrifício de rapazes purificados pela circuncisão, de acordo com o relatório, que cita testemunhos de membros da comunidade indicando o tráfico de rapazes só com este propósito.

Outras crianças são levadas para o Reino Unido para servirem de escravos nos trabalhos domésticos ou para terem relações sexuais com homens com SIDA, porque estes acreditam poder desta forma ficar curados.

Os autores do relatório ressalvam que a maioria destes casos não passam de alegações, porque as pessoas que têm conhecimento destas situações têm medo de apresentar queixa junto das autoridades, mas garantem que estas crianças correm sério risco de vida.

Apesar de considerarem que estas alegações possam ser apenas "a ponta do iceberg", os autores do relatório referem dados da Polícia Metropolitana, segundo os quais pelo menos 300 crianças negras estão dadas como desaparecidas.

O documento aconselha a um levantamento de todas as organizações religiosas que existem no país e onde estão situadas e realça a necessidade de contactos mais próximos com estas comunidades, nomeadamente através de agência de protecção de menores, para as encorajar a denunciar este tipo de crimes.

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