Crimes nazis. Arqueologia revela vala comum na Polónia

Crimes nazis. Arqueologia revela vala comum na Polónia

Perto da localidade polaca de Chojnice, no norte do país, foram já encontrados 400 locais que testemunham massacres nazis. Os crimes de guerra deram o nome à zona que ficou conhecida por "Vale da Morte". Os trabalhos arqueológicos que decorreram no local revelaram uma vala comum e centenas de artefactos pertencentes às vítimas. O estudo de uma aliança de casamento desvendou a identidade de uma mulher.

Carla Quirino - RTP /

Chamava-se Irena Szydłowska, era mensageira do Exército Nacional Polaco. Foi identificada pelo médico Dariusz Burczyk do Instituto de Memória Nacional da Polónia, e a família já foi informada sobre o achado.

Segundo o investigador Dawid Kobiałka, da Academia de Ciências da Polónia, "o plano é devolver o anel à família".

Dos registos da II Guerra Mundial, nos primeiros meses de avanço nazi, conhece-se a execução de cerca de 35 mil civis na região de Pomerânia, na Polónia. Os especialistas interpretaram como a primeira atrocidade em grande escala no país. Entre 1939 e 1940, pelo menos 12 mil mortes aconteceram perto de Piasńica. Os historiadores consideraram ter sido o prelúdio para os genocídios posteriores perpetrados pelo III Reich.

Em 1945 os nazis regressaram ao Vale da Morte para esconder os crimes. Foram encontradas 168 vítimas pouco depois de a guerra terminar, mas era de "conhecimento geral que nem todas as valas comuns de 1939 foram encontradas e a sepultura dos mortos de 1945 também não não tinha sido exumada" sublinhou Kobiałka.

As novas descobertas arqueológicas foram agora publicadas na revista Antiquity, do departamento de Arqueologia da Universidade britânica de Durham.

"Quando eu era criança morava perto do Vale da Morte e costumava brincar lá com os meus amigos", disse Dawid Kobiałka, autor do estudo e acrescenta "três décadas depois, descubro uma vala comum com cerca de 500 polacos nesse local".
Pertences encontrados na vala comum | Antiquity - A. Barejko

O investigador que liderou a investigação arqueológica no local, depois de consultar os registos históricos e trabalhar com a comunidade de Chojnice, aplicou métodos de prospeção geofísica na deteção da vala comum.
 
"O resultado mais importante da pesquisa em 2020 no Vale da Morte foi localizar uma vala comum de 1945", disse Kobiałka. E destacou a descoberta de centenas de artefatos dos massacres, incluindo os pertences das vítimas.

Para além do estudo da aliança de Irena, "uma série de análises especializadas do espólio encontrado estão ainda a decorrer", explica Kobiałka. O investigador acredita "que mais vítimas mortas no Vale da Morte serão identificadas em breve e as famílias serão informadas sobre o que realmente aconteceu aos entes queridos".

O cruzamento das informações arqueológicas com os dados dos arquivos históricos revela que um dos massacres de 1945 foi de uma coluna de prisioneiros da resistência polaca.



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