Cuba condena novas sanções financeiras dos EUA a Díaz-Canel e família

Cuba condena novas sanções financeiras dos EUA a Díaz-Canel e família

O Governo cubano condenou hoje as sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos ao Presidente, Miguel Díaz-Canel, e a familiares, afirmando que qualquer ação que vise "criar um cenário de conflito" está destinada ao fracasso.

Lusa /
Ernesto Mastrascusa - EPA

O ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, Bruno Rodríguez, declarou nas redes sociais que a "vil inclusão" de Díaz-Canel, de parte da sua família e de outras pessoas e instituições cubanas na lista de sancionados é "o mais recente exemplo do plano intervencionista norte-americano" para retratar Havana "como uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos".

"Cada ação norte-americana destinada a construir um cenário de conflito entre os dois países estará condenada ao fracasso. Cada ameaça à independência e soberania de Cuba será enfrentada com ainda mais unidade e determinação do nosso povo", sublinhou o chefe da diplomacia cubana.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos impôs sanções financeiras a Díaz-Canel, à mulher, Lis Cuesta, ao enteado, Manuel Anido Cuesta, ao coronel Alejandro Castro Espin, filho do ex-presidente Raúl Castro, e ao seu filho, Raúl Alejandro Castro Calis.

O Governo do Presidente norte-americano, Donald Trump, impôs também sanções ao Ministério das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba e aos Comités de Defesa da Revolução (CDR), uma rede de comités de bairro criada para articular o apoio popular à revolução comunista.

A lista de entidades sancionadas é completada com o Instituto Cubano de Amizade com os Povos, a empresa mineira La Victoria e a agência de viagens Amistur.

As sanções proíbem transações financeiras e comerciais com as pessoas e entidades designadas, cujos bens sob jurisdição dos Estados Unidos ficam congelados.

Esta ronda de sanções faz parte da estratégia do Governo Trump de pressionar Cuba para forçar mudanças económicas e políticas na ilha caribenha.

Desde a captura do então Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, num ataque militar norte-americano a 03 de janeiro deste ano na Venezuela, Trump impôs um embargo petrolífero a Cuba, o que agravou a crise económica do país, e ameaçou repetidamente "assumir o controlo" da ilha.

O Departamento de Justiça norte-americano apresentou também no mês passado uma acusação formal contra Raúl Castro por alegada responsabilidade na queda, em 1996, de dois aviões pertencentes a uma organização de exilados cubanos, que resultou na morte de quatro pessoas.

Neste contexto, Washington e Havana têm mantido negociações discretas nas quais Raúl Guillermo Rodríguez Castro, um dos netos de Raúl Castro, conhecido como "El Cangrejo" ("O Caranguejo"), terá atuado como um dos interlocutores cubanos.

O Governo de Cuba insiste que qualquer mudança no país deve ser decidida pelo povo cubano e denuncia que os Estados Unidos estão a preparar uma agressão militar à ilha.

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