Cúmplice de Jeffrey Epstein vê interrogatórios como "oportunidade" para reduzir pena

Cúmplice de Jeffrey Epstein vê interrogatórios como "oportunidade" para reduzir pena

Os advogados de defesa de Ghislaine Maxwell afirmaram hoje que a cúmplice do falecido Jeffrey Epstein é um "bode expiatório" do caso e que os interrogatórios com os procuradores norte-americanos são uma "oportunidade" para revisão do seu processo.

Lusa /

No início do segundo dia consecutivo de interrogatório do procurador-geral adjunto Todd Blanche a Maxwell, o seu advogado disse esperar "mais um dia produtivo", depois de a antiga parceira de Epstein "ter sido tratada injustamente durante mais de cinco anos".

"Se procurarem `bode expiatório` no dicionário, o rosto dela (de Maxwell) aparecerá ao lado da definição. Por isso, estamos gratos por esta oportunidade de podermos finalmente dizer o que realmente aconteceu", afirmou o advogado à imprensa em Tallahassee, na Florida.

O Presidente Donald Trump admitiu hoje que, embora tenha o poder de perdoar Maxwell, não ponderou o assunto.

"Na verdade, tenho poder para o fazer, mas não é algo em que tenha pensado", disse à imprensa antes de partir para a Escócia.

A confirmação pelo Departamento Federal de Investigação (FBI) e o Departamento de Justiça (DOJ), no início deste mês, de que não havia provas da existência de uma "lista de clientes" chantageados por Epstein, e que a morte do pedófilo numa prisão federal em 2019 resultou de suicídio, levou a uma crise inesperada entre os membros do movimento MAGA ("Make America Great Again", "Tornar a América Grande de Novo") de Donald Trump.   

Sob pressão de segmentos conspiracionistas da sua base política para divulgar mais informações sobre o caso Epstein, criminoso sexual com quem manteve relações próximas durante décadas, Trump negou o conhecimento ou o envolvimento nos crimes de Epstein e disse que terminou a amizade há anos.

O interrogatório a Maxwell foi uma das medidas anunciadas pelo DOJ para tentar conter as críticas, que se estendem a setores do Partido Republicano, incluindo congressistas.

Hoje, o advogado de Maxwell denunciou que a cúmplice de Epstein "está em condições terríveis e horríveis há cinco anos".

"Não aceitaríamos animais nas condições em que ela foi mantida na prisão. Por isso, é incrível que ela consiga manter o ânimo tão elevado, e estamos orgulhosos disso", disse Markus.

Os media norte-americanos têm dado conta da possibilidade de Maxwell ter a sua pena reduzida por cooperar com as autoridades, fornecendo detalhes importantes sobre o caso.

Em 2008, Epstein enfrentou acusações estaduais relacionadas com o abuso sexual de menores na Florida, mas chegou a um polémico acordo secreto com o Ministério Público que lhe permitiu declarar-se culpado de solicitação de prostituição e cumprir 13 meses de prisão.

Onze anos depois, foi acusado em Nova Iorque de acusações federais de tráfico sexual de menores e conspiração, mas morreu na prisão antes de ser julgado.

Maxwell foi considerado culpado em dezembro de 2021 de cinco acusações federais relacionadas com o tráfico sexual de menores, incluindo conspiração para recrutar, transportar e abusar de raparigas menores de idade em benefício de Epstein.  

Teve lugar na quinta-feira o primeiro interrogatório do procurador-geral adjunto a Maxwell, que respondeu a todas as perguntas, segundo o seu advogado.  

Esta semana, o The Wall Street Journal publicou que Trump fora informado em maio por funcionários do DOJ que o seu nome aparece "várias vezes" nos arquivos do caso contra o pedófilo Jeffrey Epstein.  

Numa "reunião informativa de rotina", onde este não era o tema central, Bondi e a sua equipa terão informado Trump de que os ficheiros continham o que consideravam "rumores não verificados sobre muitas pessoas, incluindo Trump, que tiveram contacto com Epstein no passado", refere o jornal.  

De acordo com o Wall Street Journal, uma das fontes com conhecimento dos documentos afirmou que estes "incluem centenas de outros nomes".  

Trump, que tem estado sob pressão dos seus apoiantes para cumprir a promessa de divulgar toda a informação sobre o caso, negou na semana passada que tivesse sido informado sobre a presença do seu nome nos arquivos.  

A Casa Branca classificou como "notícias falsas" as informações avançadas também pela CNN e The New York Times.  

De acordo com o jornal, foi Ghislaine Maxwell quem recolheu cartas de Trump e de outros parceiros de Epstein para as incluir num álbum como presente.    

Trump processou na sexta-feira o WSJ, a News Corp, grupo que inclui o jornal, e o seu proprietário, Rupert Murdoch, por divulgar a alegada carta a Epstein.

 

Tópicos
PUB